Os Ídolos do Coração

“Então o Senhor me falou: ‘Filho do homem, estes homens ergueram ídolos em seus corações e puseram tropeços ímpios diante de si” (Ezequiel 14.2-3a).

O reformador francês João Calvino (1509-1564) comentando esse texto da Escritura disse que “o coração humano é uma fábrica de ídolos, cada um de nós é, desde o ventre materno, experto em criar ídolos.”

Essa não é uma mera opinião da religião, mas uma realidade que com sinceridade podemos encontrar em nós. “Todo mundo adora alguma coisa” – disse o escritor e romancista norte-americano, David Foster (1962-2006) – “a única alternativa é o que adorar”.

Embora não professasse uma fé, Foster sabia e afirmava que não existe o ser ateu, pois todo ser humano possui algo que adora e idolatra em seu coração.

Mas o que é um ídolo? O que é o coração?

Vamos começar pelo segundo. Coração é aquilo que nos move. É o centro de nossas vontades, sentimentos e percepções. O coração é o nosso ser completo, nossa mente, e o que fazemos. É a fonte das nossas motivações, realizações e frustrações.

Já um ídolo é qualquer réplica que tomamos para substituir a Deus em nosso coração. É “qualquer coisa que representa a forma de um objeto, seja real ou imaginária, … dos espíritos dos mortos, aparições, fantasmas, espectros da mente” (Strong). É a tentativa proibida por Deus de dar forma a uma suposta entidade superior ou inferior com o intuito de servi-la. Esa representação a que se dedica tempo, entendimento, esforço, vontades e sentimentos mais do que a Deus chamamos ídolo. E o seu serviço é idolatria.

Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores, pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro (Mt. 6.24). Portanto, todo idólatra é alguém dividido, pois fomos todos criados para entesourar unicamente a Deus.

Ainda assim, não podemos ver a Deus e não estamos autorizados a criar ou adotar nenhuma forma de representação da divindade. Ele revela a si mesmo de uma maneira que nenhuma coisa na terra pode representá-lo. Deus deixou isso expresso no primeiro e no segundo mandamentos: Eu sou o Senhor, o teu Deus… não terás outros deuses além de mim. Não fará para ti nenhum ídolo (NVI).

É muito claro que a advertência, em primeiro plano, é quanto a se fazer qualquer imagem de escultura que busque representar a Deus. Mas de maneira mais profunda essa proibição revela uma tendência humana de dar honra aos ídolos mais do que a Deus, não importa o pretexto, desculpa, tradição ou doutrina.

A idolatria acontece quando alguém toma o barro, o gesso, o plástico ou o metal e o transforma em um ídolo e se prostra, lhe presta honra, culto, veneração ou reverência. Mas igualmente dar mais honra e lugar na vida a qualquer outra coisa, física ou não, pode se tornar um ídolo. Podem ser os filhos, o emprego, o cônjuge, os bens, a beleza, o status, enfim. Qualquer outra coisa à qual nós dermos prioridade em detrimento da primazia devida a Deus se torna ídolo, pois “materializamos” algo como sendo a razão de nossa total devoção.

Deus não divide sua glória com ninguém, muito menos com qualquer objeto inanimado ou ser vivo. Deus mesmo estabeleceu na Escritura a maneira como deseja ser honrado e adorado, não devemos inventar nada além do que ele ordenou.

O Senhor Jesus mesmo deixou claro que é impossível amar e servir a “dois senhores”, pois quem não o ama acima de todas as coisas, não é digno dele (Mt 10.37-39). O que Jesus diz implica em que se não o amamos, não podemos ter comunhão com ele. Não pode haver um triângulo entre você, Jesus e algo mais.

Amá-lo, de seu ponto de vista, significará “perder” todas as coisas e sua vida. Mas do ponto de vista dele, você encontrará sua vida e herdará com ele todas as coisas que a ele pertencem. O ponto de seu ensino não se restringe a abnegação e sacrifício, mas indica prioridade. Jesus deseja ser nossa prioridade para que não sejamos escravos dos ídolos, enganados. Ele também não precisa que façamos homenagens de escultura ou qualquer outra forma supostamente para agradá-lo. Jesus deseja que o amemos, obedeçamos e o sigamos de coração. Se o amamos devemos tê-lo como nosso amor supremo.

Deus deseja nos tirar da condição de loucura que é amar as coisas e nos trazer a sensatez de amar somente a ele. Sua repreensão visa nos conduzir ao arrependimento e afastamento dos ídolos do coração a fim de que renunciemos às nossas práticas (Ez 14.6). Ele sempre nos chama a que deixemos de lado as coisas secundárias e demos prioridade para Seu Reino e Sua justiça, para sermos o seu povo e ele nosso Deus.

Por fim, João em sua primeira carta conclui exortando para que nos guardemos dos ídolos, afinal, já estamos no Deus verdadeiro (5.21). E seu Filho, Jesus Cristo, é o único que manifestou corporalmente a plenitude da divindade, sendo ele a única e verdadeira imagem de Deus. Ele é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Sendo assim, nem ele nem nós precisamos de qualquer outro aparato ou complemento que nos conduza a Deus, pois somente Jesus é o caminho. Qualquer outra forma de desviar dessa verdade é uma manifestação da idolatria e uma tentativa dos ídolos (demônios) de nos cativar para sermos servos deles, não do verdadeiro Deus.

Que Deus te abençoe e te guarde dos ídolos.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Site hospedado por WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: