O Que Jesus Quis Dizer Com “Portas do Inferno”?

“Então Jesus lhe afirmou:

— Bem-aventurado é você, Simão Barjonas, porque não é carne e sangue que revelaram isso a você, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.17-18).

As Portas do Inferno na Geografia Cósmica

Quando lemos “inferno”, naturalmente pensamos no reino dos incrédulos mortos. Mas a palavra grega traduzida como “inferno” (ᾅδης, hadēs) é também o nome para o submundo — Hades, o reino de todos os mortos, não apenas dos incrédulos. O equivalente hebreu a Hades é o Sheol — o lugar “debaixo da terra” para onde todos foram depois que esta vida terminou.

O Sheol tinha “barras” (Jó 17.16) e “cordas” para amarrar seus habitantes (2 Sm 22.5-6), impedindo qualquer fuga (Jó 7.9). Tanto os justos como os injustos foram ao Sheol. O crente justo, no entanto, poderia aguardar a libertação e eternidade com Deus (Sl 49.15).

Embora as imagens associadas ao Mundo Inferior enervassem os discípulos, a referência de Jesus aos portões do Hades os teria abalado por outro motivo. Se conheciam bem o Antigo Testamento, eles entendiam que estavam diante daqueles mesmos portões que Jesus falou.

As Portas do Inferno na Geografia Terrestre

Mateus 16 ocorre em Cesareia de Filipe, situado perto de uma região montanhosa contendo o Monte Hermon. No Antigo Testamento, essa região era conhecida como Basã — um lugar com uma reputação sinistra.

Segundo o Antigo Testamento, Basã era controlado por dois reis — Siom e Ogue — que estavam associados aos antigos clãs dos gigantes: os refains e os anaquins (Deuteronômio 2.10-12; Josué 12.1-5). As duas principais cidades de seu reino eram Astarote e Edrei, lar dos refains (Deuteronômio 3.1, 10-11; Josué 12.4-5).

Cesareia de Filipe – Monte Hermon

Estas cidades e seus habitantes refains são mencionados pelo nome em tabuletas cuneiformes Cananitas (Ugaríticas). O povo de Ugarit acreditava que os refains eram os espíritos dos reis-guerreiros mortos. Eles também acreditavam que as cidades de Astarote e Edrei eram a porta de entrada para o submundo — os portões do Sheol. Além disso, durante o período do reino dividido de Israel, Jereboão construiu um centro religioso pagão em Dã — ao sul do Monte Hermon — onde os israelitas adoravam Baal em vez de Yahweh.

Para os discípulos, Basã era um domínio maligno e sobrenatural. Mas eles tinham duas outras razões para se sentirem nauseados por causa de onde estavam. Segundo a tradição judaica, o Monte Hermon era o local onde os divinos filhos de Deus haviam descido do céu — e acabaram corrompendo a humanidade através de seus filhos com mulheres humanas (Gn 6.1-4) Esses descendentes eram conhecidos como nefilins, ancestrais dos anaquins e dos refains (Nm 13.30-33). Na teologia judaica, os espíritos desses gigantes eram demônios (1 Enoque 15.1-12).

Para tornar a região ainda mais assustadora, Cesareia de Filipe foi construída e dedicada a Zeus. Esse deus pagão era adorado em um centro religioso construído a uma curta distância do mais antigo em Dã — no sopé do Monte Hermon. Além do breve interlúdio durante o tempo de Josué a Salomão, os portões do inferno estavam continuamente abertos para negócios.

Jesus Declara Guerra

A rocha a qual Jesus se referiu nesta passagem não era nem Pedro nem ele mesmo; era a rocha sobre a qual eles estavam de pé — o pé do monte Hermon, o QG demoníaco do Antigo Testamento e do mundo grego.

Frequentemente presumimos que a frase “as portas do inferno não prevalecerão contra” descreve uma Igreja sofrendo o ataque do mal. Mas a palavra “contra” não está presente no [texto] grego. Traduzir a frase sem ela dá uma conotação completamente diferente: “os portões do inferno não resistirão”.

É a Igreja que Jesus vê como o agressor. Ele estava declarando guerra ao mal e à morte. Jesus construiria a Sua Igreja no topo do inferno — Ele os enterraria.


O Dr. Michael S. Heiser é um estudioso residente da Faithlife, os criadores do Logos Bible Software. Ele é o autor de The Unseen Realm: Recovering the Supernatural Worldview of the Bible (O Reino Invisível: Recuperando a Visão Sobrenatural da Bíblia) e ministrou muitos cursos Mobile Ed, incluindo Problems in Biblical Interpretation: Difficult Passages I (Problemas na Interpretação Bíblica: Passagens Difíceis I).

Este artigo foi extraído do livro do Dr. Heiser, I Dare You Not to Bore Me With the Bible (Eu Desafio Você a Não me Entediar com a Bíblia). Confira o texto original aqui.


Tradução por Victor San. Se quiser reproduzir este artigo em seu blog, recomendo que post um link e dê os devidos créditos de autoria e tradução.
Leia também: Jesus Foi ao Inferno?

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