O Objetivo das Missões Pode Não Ser o Que Você Pensa

O que aconteceu em 2 de janeiro de 1998 alterou o curso da minha vida (Chase).

Junto com milhares de outros estudantes universitários, participei da segunda conferência da Passion, a qual era então uma nova série de reuniões que buscavam erguer uma bandeira para a glória de Deus. Eu ouvi John Piper pregar pela primeira vez, e o que ele comunicou sobre o coração de Deus para as nações — especificamente a ideia de que ele estava reunindo para sua glória um povo entre todos os povos — foi paradigmático para mim.

Depois comecei a cavar o livro, agora clássico, de Piper sobre missões, Alegrem-se os Povos (Baker). Ele abre com palavras de embasamento:

Missões não é o objetivo final da igreja. Adoração é. Missões existem porque a adoração não existe. A adoração é suprema, missões não, porque Deus é supremo, não o homem. Quando esta era acabar, e os incontáveis ​​milhões de redimidos caírem sobre seus rostos diante do trono de Deus, as missões não existirão mais.

Este parágrafo mudou profundamente o que eu via como o objetivo das missões. Antes, eu achava que o objetivo das missões era a prática de missões: evangelismo, plantação de igrejas e assim por diante. Mas Piper apontou para algo maior: o objetivo das missões é nada menos que a adoração a Deus.

Motor de Adoração

Essa adoração é o combustível e o objetivo das missões, não apenas informa nossa teologia, mas também nossa prática. Se a adoração é o objetivo, a igreja local é o principal instrumento. Ou, para usar uma analogia do carro, se a adoração é tanto o destino quanto o combustível das missões, a igreja local é o motor. Por quê? Porque a igreja local é projetada para ser a ajuntadora dos adoradores de Deus na terra — uma demonstração corporativa de sua glória entre as nações.

Do começo ao fim de seu ministério, o apóstolo Paulo era apaixonado por estabelecer a igreja local como o motor das missões. Ele se submeteu à autoridade da igreja local em Jerusalém. Foi enviado por uma igreja local em Antioquia. Instruiu Tito a solidificar as igrejas incipientes em Creta estabelecendo anciãos. Ele tinha uma profunda preocupação pelas igrejas locais.

Havia muitas coisas interessantes sobre o ministério pioneiro de Paulo. Ele proclamou o evangelho às massas em Atenas, Éfeso e além. Proclamou Cristo a todos, desde os cooperadores até as autoridades governantes. Mas o que mais importava para Paulo era o que o próprio Cristo prometera construir: uma igreja do evangelho.

Quando o evangelho é pregado, devemos esperar que novas igrejas se formem. O jogo final não é que um ou até mesmo alguns crentes tenham uma ideia vaga de que de alguma forma compartilham Cristo. Não, o objetivo de adorar a Jesus é realizado pelas igrejas locais — grupos reunidos de crentes, sob a autoridade de anciãos, que estão discipulando outros, mantendo firme a sã doutrina, praticando a Ceia do Senhor e o batismo, e procurando obedecer a Deus.

Parar de Aparar as Pontas

Alguns líderes e organizações missionárias contestam esse ponto. Não é razoável esperar que igrejas saudáveis, maduras e autossustentáveis ​​sejam formadas, eles dizem — essa é uma noção “ocidental”. O que mais importa é reproduzir pequenos grupos informais que chamaremos de “igrejas” em prol de nossos números. Essa prática é trágica. Quando ficamos satisfeitos com menos do que o ideal bíblico para missões, manifestamos uma compreensão sub-bíblica de como Deus deseja ser louvado. Claro, existem certos contextos em que as formas serão diferentes, mas a visão bíblica da igreja local permanece.

Quando Paulo mencionou a igreja que se reunia na casa de Priscila e Áquila (1 Coríntios 16.19), ele não estava confuso em seu uso de “igreja”. O objetivo não era diferente do que Paulo falou em Efésios 4. Era a construção do corpo de Cristo. Nosso objetivo não deve ser nada menos que isso hoje.

Quando plantar igrejas locais sadias é ignorado, o pragmatismo e a impaciência tomam conta. O Senhor não é glorificado por 10.000 “igrejas” plantadas em uma quantidade comprimida de tempo apenas para cair na teologia da prosperidade, sincretismo ou outros erros eternamente fatais.

Indicadores para o Reino

Deus expressa sua sabedoria quando igrejas locais se reúnem em todo o mundo. Então, enquanto ansiamos pelo dia em que os rebeldes redimidos se reúnem de toda tribo, língua e nação para adorar o Cordeiro que foi morto, a igreja local é um microcosmo desse grande dia.

As igrejas locais são indicadores que apontam o caminho para o reino de Cristo — embaixadas do céu em solo terrestre. Quando nos reunimos para adorar, ensinar e considerar, e nos espalhamos para o testemunho global, lembremos que o objetivo das missões é a adoração a Deus. E o culto necessariamente nos leva a estabelecer igrejas fiéis de discípulos que fazem discípulos entre todos os povos.

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Chase Bowers é o pastor de divulgação global na Temple Bible Church em Temple, Texas. Ele ama mobilizar trabalhadores de longo prazo, ensinar o corpo de Cristo, visitar amigos nos lugares menos alcançados e treinar líderes em contextos transculturais. Chase e sua esposa, Laura, têm uma filha e quatro filhos, os três mais jovens eles adotaram. Em seu tempo livre, Chase aproveita a tardinha com sua esposa, lendo, pescando e jogando futebol no Texas. Você pode segui-lo no Twitter.

Scott Zeller serve como presbítero na Igreja Redeemer de Dubai e como diretor de um centro de plantação de igrejas e educação teológica. Você pode segui-lo no Twitter.

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Tradução por Victor San. Se quiser repostar este artigo em seu blog ou site, recomendo copiar o link e dar os devidos crédito de autoria e tradução. Veja o artigo original aqui.

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