Reino e Missão

Toda a história bíblica está apoiada no que considero os dois maiores pilares da teologia na Escritura, além da teologia da aliança: a missão de Deus e a implantação de seu reino. É impossível conceber um sem o outro. Além do mais, é a partir dessas duas realidades que a salvação se concretizou para os salvos (“remidos”, “fiéis”, “santos”, “os que têm crido” etc), sendo estes mesmos a evidência tanto da missão quanto da presença do reino de Deus. Deus está em missão implantando seu reino entre os homens e o resultado de sua ação é a conversão dos que aceitam o evangelho da graça de Deus em Jesus.

Quando lemos o testemunho de Lucas no livro de Atos percebemos como a presença ativa de Deus foi o elemento encorajador para que a igreja perseverasse em meio às perseguições. A presença do Espírito Santo impulsionava os crentes de modo que à medida que cresciam em comunhão, contavam com a simpatia popular e evangelizavam “o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (Atos 2.47 NAA). Conforme a missão e o reino avançavam, o número dos que recebiam a palavra do evangelho crescia. Parece ser uma dinâmica eclesiástica bem simples. E é. Deus deu aos santos o privilégio de saírem em missão anunciando a vinda do reino, contando com a promessa da presença de Jesus (Mt 28.20), de modo que os remidos se tornam um fim e um meio da missão de Deus. São tanto aqueles que foram alcançados quanto os instrumentos de Deus para alcançar outros para o reino.

Uma descrição pictórica dessa dinâmica da redenção aplicada pode ser lida na remota história dos hebreus às portas de tomarem posse da Terra Prometida. Quando se aproximavam da Canaã Moisés enviou 12 homens com o fim de provarem o fruto da terra. Josué e Calebe foram os únicos dentre eles que se deliciaram com os primeiros frutos que toda a nação experimentaria na herança que estava logo adiante. Eles provaram e creram.

Deus concedeu à Israel uma antecipação dos sabores da Terra para que tão-somente cressem e tomassem posse. Para nós essa história ilustra como os que têm adentrado as portas do reino têm experimentado uma antecipação do mundo por vir. Os frutos não são o reino vindouro em si, são prenúncios. A missão da igreja é avançar, Deus já preparou todo o cenário para nossa posse. Em sua ação ele tornou uma pequena fração do futuro disponível no presente como testemunho da veracidade do que está por vir. E quando nos deixamos convencer e persuadir por tal testemunho exercitamos a fé definida em Hebreus 11.1: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem.” É, portanto, por meio da missão que o reino de Deus é trazido para o presente como uma antecipação dos “sabores” da pátria celestial. Mesmo provando, sem fé é impossível aceitar.

Na sua vinda, Cristo trouxe consigo os frutos da nova criação, os sabores de uma humanidade redimida, livre e aperfeiçoada como jamais os homens imaginaram. O próprio Cristo Jesus é a primeira parte desses frutos, e nós somos também com ele. Os sabores da vida por vir que chegará com a implantação do reino de Deus estão em Jesus. Todos os sinais, palavras, atitudes e obras de Jesus, bem como seu corpo glorificado são o antítipo da humanidade, do que Deus ainda será em nós, os que estamos sendo salvos. Deus será tudo em todos e habitará em nós da mesma maneira plena que habita em Jesus. Assim, essa é a missão de Deus: nos tornar santos como Jesus.

Sua mensagem, em Cristo, portanto, é e continua sendo a mesma desde o princípio desta criação: confiem, esperem e verão com seus próprios olhos a salvação de Deus. Enquanto isso, viva no chão do velho mundo com os olhos fitos no reino vindouro de Cristo. Viva nesta terra, como que em antecipação, todas as virtudes e graças concedidas agora que ainda serão plenamente realizadas. Sim, isso está disponível pela virtude do Espírito Santo, que é o selo, a garantia dessa promessa. E aguarde a poderosa e bendita manifestação de Cristo Jesus que trará consigo a imortalidade e a incorruptibilidade.

Moisés prefigurou a libertação do Egito e a introdução dos hebreus na Terra Prometida, dando-lhes até mesmo uma prova da herança, agora, porém, Cristo nos liberta, nos aproxima do reino e antecipa a prova da graça que nos foi dada por meio dele para que dela jamais nos desviemos. O reino de Deus está próximo e a missão está avançando. Nós apenas somos chamados para crer e tomar posse da nossa herança em Cristo.

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