Jesus e a Moral Religiosa

Jesus não veio de uma descendência sacerdotal, não era membro do Sinédrio, não tinha qualquer influência dos mestres judeus de sua nação, nem mesmo tinha o reconhecimento da maioria deles. No máximo, ele teve um primo de linhagem sacerdotal, João Batista, o qual não se vendeu ao sistema religioso de sua época, mas viveu como profeta do lado de fora, nos desertos (Lc 1.5; 3.2). O próprio João não comprometeu seu ministério por causa dos líderes de sua nação e das expectativas que pesariam sobre si. Pelo contrário, ele abriu mão de seu direito como sucessor sacerdotal e chamou seus contemporâneos todos ao arrependimento do lado de fora da religião (Mt 3.8).

Tal como João Batista, Jesus não esperou pela aprovação dos mestres da lei. Ele foi guiado pela vontade de Deus. Ele não se submeteu aos moralismos humanos e não encarou como uma soberania determinista, isto é, como se qualquer que fosse a situação ele teria de se sujeitar em nome da soberania. Não. Jesus nem mesmo tinha qualquer ligação com alguma aspiração profética no sentido tradicional de sua época, já que ele ficou conhecido como o Galileu, de onde jamais surgiu qualquer voz profética (Jo 7.52). Ele ensinou como um rabino extremamente diferente do que era costume, e não pediu autorização de ninguém para isso. E isso não pode ser simploriamente justificado com o argumento de queele é o Filho de Deus. Ele não usou desse direito, mas abdicou (Fp 2.6).

Jesus não era um revolucionário, como é dito em nosso tempo, e como alguns insistem em afirmar. Ele simplesmente lidou de maneira sincera, honesta e sem hipocrisias com a moralidade de seu povo. Ele abertamente ignorou os preceitos morais da religião, já que tais mandamentos não passavam de preceitos de homens que, no final só servem para invalidar a palavra de Deus pelos que deles se apropriam (Mc 7.13).

Mesmo tempos depois, os seus apóstolos tiveram a mesma hombridade e firmeza em não condescender com as políticas moralizantes da religião judaica, ainda que sob pena de açoites, excomunhão e perseguição. Pois, afinal, compreenderam e assumiram para si mesmos que obedecer a Deus é mais importante do que obedecer aos homens (Atos 5.29). Nada, absolutamente, pode calar este tipo de convicção, nem mesmo a morte; pois mesmo após ela, o sangue deles continuar a “falar”.

Ter essa verdade pulsando dentro de si é reconhecer que o Espírito de Deus fala em nós. E que não se limita apenas a lembrar a Escritura, senão que também se deixar levar pelo seu ensino, de modo a, conhecendo a vontade de Deus, crê-la e vivê-la com ousadia, sem temor dos homens (Mt 10.28).

Essa voz do Espírito não pode ser calada. Tal luz não pode ser apagada dentro daqueles que desejam sincera e desimpedidamente obedecer a Deus (1Ts 5.19). Porque, no final, quem vive no Espírito, anda também no Espírito e possui a mente de Cristo. E assim, é necessário que se obedeça a Deus antes de obedecer aos homens. Essa vocação, se é realmente verdadeira, não depende da chancela de homens, nem pode ser revogada ou detida (Gl 1.15-17; Rm 11.29).

O compromisso primordial é com a Palavra de Deus habitando interiormente mesmo em face de preceitos e regras humanas, principalmente se forem de ordem moral-político-religiosa. Não dá para obedecer aos homens desobedecendo a Deus. Porquanto Deus não tem nenhum compromisso com as morais humanas, mas com sua palavra. Os homens, se quiserem, que se beneficiem dela, a reconheçam e a admitam publicamente.

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