Muitos Conselheiros

Com a ascensão da monarquia em Israel, surgiram também os profetas. Não se pode dizer com exatidão que antes disso não havia profetas. Abraão é referido como profeta (Gn 20.7). A proposta não é especular sobre essa vocação, mas analisar as circunstâncias em que ela esmagadoramente mais se manifestou. E esse tempo foi o da monarquia.

Quando lemos especialmente os livros históricos, e com eles os proféticos, percebemos que muitos profetas se levantaram nos momentos em que a política interna e externa da nação promovida pelos reis estava contaminada e apodrecida. Com isso, crescia a impiedade, o suborno, a politicagem malandra e perversa, a insensatez, a loucura, as abominações, as práticas idólatras, o sincretismo, o ocultismo, o misticismo pagão, a injustiça, a opressão, a rebeldia, a avareza. Tudo isso vinha num pacote só. Basta ler as denúncias dos profetas. E todas essas coisas vinham como resultado de um afastamento da sobriedade do conhecimento do Senhor.

Se já não bastasse a frouxidão e a perversidade dos reis desviados, eles  geralmente tinham conselheiros piores do que eles mesmos. Por isso que, de maneira antagônica aos profetas do Senhor surgiram os falsos profetas. Estes, faziam a cabeça dos reis e falavam o que era agradável de se ouvir, mas quando as consequências das suas mentiras e de sua insensatez vinham era difícil de engolir, pois geralmente era muito tarde e o mal já havia se instalado.

Do outro lado, os verdadeiros profetas só falavam o que era ruim aos ouvidos da corte. Por todo lado e às madrugadas, das maneiras mais inusitadas, eles saíam denunciando e chamando ao arrependimento para uma conversão ao que era bom, justo e agradável aos olhos de Deus. Prezavam pelo bem da nação tendo em vista os oprimidos do povo, o órfão, a viúva, o estrangeiro e o desamparado. Aos ouvidos de um rei instável cercado de conselheiros cegos e avarentos, cheios de engano e arrogância, dizendo em nome de Deus o que Deus nunca disse e nem garantiu, os melhores conselhos só poderiam parecer os piores. E os piores os melhores.

Quase todo reino na terra sofreu desse mal. Isso saiu da boca dos profetas, como Isaías, que disse: “Na verdade, são néscios os príncipes de Zoã; os sábios conselheiros de Faraó dão conselhos estúpidos;” (19.11). Um espírito de desvirtuamento costuma habitar as cortes quando os conselheiros são perversos e avarentos assim. Uma nação inteira levada a ruína pela insolência de homens mimados e controladores. Esse é o ciclo quando as circunstâncias propícias vão levianamente sendo instaladas. O torpor toma conta e o certo vai se tornando o errado e o errado, certo. A luz vai sendo chamada de trevas e as trevas de luz. Tudo isso em nome da suposta divindade que fala pela boca dos falsos profetas, que como sangue-sugas vão drenando qualquer possibilidade de que surja vida.

Disse o rei Salomão que na multidão de conselheiros há segurança, bom êxito e vitória. Mas na falta de direção e de conselho, cai o povo, falham os projetos. E isso também acontece quando há conselheiros, mas não há conselhos sábios. A história sempre dá lições. Os loucos é que as desprezam.

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