Um Mundo Melhor

Que mundo você deseja ver no futuro? Um mundo sem religião, sem discriminações e sem guerras? Você consegue imaginar toda a humanidade como um só povo, uma só nação? Todos em mútua cooperação para nossa própria experiência e desenvolvimento?

Talvez, para alguns, isso seja apenas uma ideia utópica tema de uma canção de um falecido astro do rock. Mas se tudo isso é só um sonho ou uma visão, não é exatamente por isso que nunca temos um mundo melhor?

Não é porque simplesmente não se acredita naquilo que se almeja e não se vive o que se deseja ver concretizado? Não é porque as pessoas desistem de uma visão dessa e passam a viver como os demais em seus planos egoístas de grandeza, alienação e supremacia sobre os outros?

Isaías teve uma visão do futuro que era realmente boa e convidou seu próprio povo a viver essa realidade no dia chamado Hoje. Ninguém a estava vivendo e por isso a sociedade estava arruinada, corrompida.

Se não havia conhecimento de Deus, é por que não buscavam ao verdadeiro e único Deus, mas aos deuses falsos criados pelo ego e imaginação humana.

Se não havia acordo entre os povos, era por que cada nação vivia para manter seus territórios e lutava por seus próprios interesses às custas da vida do seu semelhante.

Se não havia paz, era por que ninguém se prestou a buscá-la, a ser um agente verdadeiramente pacificador, pois como disse Jesus, felizes são os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

Independente de ninguém estar buscando viver a realidade que supostamente desejam, Deus revelou que ele mesmo a estabeleceria no tempo determinado. E ele confiou essa mensagem aos homens.

A visão está estruturada em três temas. O primeiro tema trata da exaltação do monte do Senhor. Essa exaltação se dará nos últimos dias, nos quais o monte do Senhor será estabelecido sobre o cume dos montes, sua elevação irá acima das colinas, e atrairá muitas nações até ele. O segundo tema se volta para a peregrinação dessas multidões de entre as nações até o monte do Senhor, a motivação dessa atração pelo monte e a razão pela qual elas são atraídas. O terceiro tema apresenta o resultado da exaltação do monte do Senhor e da atração das nações até ele. Neste tema, há uma descrição do Senhor como o árbitro e o mestre entre todos os povos e nações, a efetiva aplicação de seu ensino e a extensão da paz entre todos os povos e nações. Embora o parágrafo termine aqui, o convite feito a casa de Jacó para que ande na luz do Senhor parte do pressuposto da necessidade do estabelecimento de uma ordem superior das coisas tendo em vista a situação presente da humanidade, que é o tema desenvolvido no capítulo 2 até o capítulo 4.

1. A Exaltação do Monte da Casa do Senhor. O fim das religiões

Esse tema retrata a antecipação de um tempo que foi visto por Isaías. Nessa contemplação, o monte da casa do Senhor se estabelecia no cume dos montes. Esse monte é referido como o monte do templo, isto é, Sião, que, embora seja baixo na presente ordem, nos últimos dias, isto é, no fim desta era e no princípio da era vindoura ele estará por cima dos montes e até mesmo “se elevará” acima de todos eles. O monte da casa do Senhor ultrapassará todos os mais elevados montes da terra. Em comparação com o contexto da época, a exaltação do monte do Senhor apresenta um contraste entre a atual condição e o estado das coisas no fim dos tempos. Agora, o monte do Senhor é como um entre os outros, mas nos últimos dias ele se destacará sobremaneira. Seu estabelecimento e exaltação pode ser encarado como algo sobrenatural. É digno de observação que o que se estabelecia e sobressaia na visão era o monte e não o templo (“casa”).

Em Apocalipse 21.9-11, João é levado a uma alta montanha e o que ele viu foi a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus. Podemos entender que é um aprofundamento do conhecimento dado a Isaías, mas que não se opõe a ele, pelo contrário, o confirma, pois João viu que essa cidade descia de Deus. Isso aponta para o que Deus realizou para que essa cidade descesse, pois não foi a cidade que subiu por si mesma, mas Deus foi quem a ataviou “como noiva adornada”. Foi Deus quem preparou esta cidade, que não é uma obra-prima da construção civil nem da moralidade humana, mas da graça remidora de Deus em Cristo.

No mundo antigo, os montes eram sinônimo de templo, adoração, aglomeração de pessoas. Tanto em Israel quanto em todas as nações os templos eram construídos sobre os montes e eram numerosos. Os altos lugares eram também sinônimo de idolatria diante do único Deus.

Portanto, a visão de Isaías nos diz que nos últimos tempos a idolatria será superada e o conhecimento do único Deus verdadeiro ultrapassará todas as religiões. Pois toda forma de religião é sintoma de que as coisas estão fora do lugar, pois não é o único Deus que está sendo adorado e conhecido, mas a arte e imaginação humana. No passado, Deus se fez conhecer por meio da religião judaica, mas nos últimos tempos e definitiva e irrevogavelmente ele se fez conhecido através de uma pessoa, seu Filho Jesus Cristo.

2. As Nações Afluirão ao Monte do Senhor. O fim do nacionalismo geo-político

O segundo tema da visão é um detalhamento do primeiro tema. Nele, a abrangência da transformação que o mundo passa vai além do próprio monte Sião, pois os demais povos serão atraídos para ele. A visão passa a retratar as nações fluindo como um rio em um fluxo invertido, que vai de baixo para cima. É de uma natureza e ordem de coisas diferente daquela que estamos acostumados. Os detalhes são ainda mais realçados quando ouvimos o que as nações falam sobre esse evento. Esse fluxo sobrenatural aponta para uma disposição dos povos de se encaminharem até a “casa do Deus de Jacó” com o objetivo de serem ensinados e de viver esse ensino. Também nos é dada a razão desse objetivo. Segundo o texto, os povos se disporão por que de Sião virá a instrução e a palavra do Senhor de Jerusalém.

Esse tema da visão, fala, portanto, de uma assembleia constituída por povos de todas as nações que conhecerão ao único Deus e que recorrerão unicamente a ele para receberem instrução de vida.

Deve ser notado que na visão dada a Isaías a lei não procederá do Sinai, como foi na antiga aliança, mas de Sião. Isso aponta para uma natureza diferente de lei que não está gravada do lado de fora, em pedras, mas no coração dos povos, de modo que estes possuem uma determinação interior de viver conforme a vontade de Deus. Hebreus 12.18-24 apresenta-nos esse contraste. E Paulo também contrasta as duas alianças dizendo que a do Sinai gerou escravidão, mas a Jerusalém de cima é livre (Gálatas 4.21-26).

Nessa Jerusalém, já não há nem grego nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão. bárbaro, cita, escravo, livre, nem homem nem mulher; porém Cristo é tudo em todos e todos são um em Cristo (Cl 3.11; Gl 3.28). Não se viverá mais sob a lei de Moisés, mas sob a lei de Cristo.

Portanto, a visão fala de uma superação das divisões nacionalistas, raciais, sociais, étnicas e circunstanciais da presente era. Fala de um tempo em que a lei da vida estará em cada ser humano. E todos serão guiados pela consciência de fraternidade universal.

3. A Influência do Monte do Senhor. O fim das guerras

O terceiro tema demonstra o resultado dos temas anteriores. Nele, o foco da visão é o Senhor como fator decisivo de justiça e retidão entre os povos. Estes farão de suas armas de guerra, instrumentos de agricultura e jardinagem. Não haverá mais entre eles qualquer preparação para guerrear e nenhuma intenção destrutiva. Armamentos e guerra serão desnecessários quando o Senhor se levantar como único soberano entre todas as nações.

Em todos os limites do reinado de Deus haverá paz entre os homens. Ele é o Deus da paz, e trouxe, ele mesmo, boas-novas de paz e reconciliou-nos consigo mesmo destruindo a inimizade entre os povos (Ef 2.13-17). O véu que nos separava de Deus foi rasgado e a parede que separava os povos foi destruída.

A visão de Isaías de uma perspectiva presente retrata a ignorância, rebeldia, hipocrisia, injustiça e arrogância em que o próprio povo de Deus e todos os demais povos vivem. E de outro lado materializa a visão correta das coisas, não só como serão, mas como deveriam ser, no presente. Agora, os últimos dias se referem não só a um futuro distante, mas a um futuro presente. Deus trouxe o futuro para o agora, isso é o que define uma visão. É o que define a fé (Hb 11.1). E nisso está incluído tanto os que invocam conscientemente o nome de Deus quanto os que o fazem ao Deus Desconhecido em todas as nações.

O mundo ideal que a humanidade deseja e projeta para o futuro deve ser vivido hoje. Todo ideal e todo pensamento que mudou o mundo no decorrer da história teve haver com a antecipação prática daquilo que se espera. Dessa maneira, se queremos mais união e tolerância entre as pessoas e até mesmo sem religiões, devemos canalizar nosso entendimento e submeter nossa consciência hoje ao conhecimento do único Deus.

Se o que desejamos para a vida futura é que a humanidade seja uma só família, precisamos viver como família, respeitando as diferenças, pois elas, as diferenças, são o que tornam o mundo tão rico, belo e encantador.

Se, portanto, daqui para frente queremos paz entre todos os povos, precisamos viver em paz hoje, baixando todas as armas, e usando nossas tecnologias como instrumentos de preservação da vida, do meio ambiente, de serviço ao próximo. Se esse é o mundo que queremos, já está na hora de comecarmos a vivê-lo hoje.

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