Jesus Explica Deus

Mesmo correndo o risco de ser rotulado de taxativo, rígido, fariseu, legalista, inflexível ou até intolerante, nenhum cristão que preze por esse nome deve abrir mão da verdade. Tão pouco apenas para satisfazer a média que clama por um relaxamento do que é correto somente para “dialogar” com as pessoas, talvez, para parecer mais “humano” e socialmente aceitável. Isso porque é impossível transigir com meias verdades sem comprometer toda a verdade. É inconcebível termos a verdade pela metade, pois a verdade é o que é. Meias verdades não são, de fato, meias verdades, mas mentiras enfeitadas com algo de verdade; uma distorção.

Conjuntamente, não é nada cristão arrogar-se de dizer a verdade “doa a quem doer”, pois como cristão, sei que a verdade dever ser dita e vivida em amor (Efésios 4.15), jamais sendo pretexto para a ignorância, antipatia (por mais que muitas vezes isso seja quase inevitável), arrogância, crueldade e total falta de empatia. Ninguém jamais foi tão verdadeiro como Jesus é verdadeiro, sem contudo humilhar as pessoas, porém sem também fazer “cócegas” no ego delas.

Dito isso, é danosa qualquer forma de explanação da verdade que não tenha primariamente compromisso com a verdade. Em especial, infelizmente, é fácil perceber que as “meias verdades” estão cada vez mais presentes naquilo que é chamado de “meio cristão”, especialmente evangélico brasileiro. Não é só no púlpito, mas no palco também. Esse, de maneira mais notável porque não se restringe aos ambientes de igreja.

A música gospel tomou uma proporção muito grande no cenário brasileiro e continua a se expandir. Com pouquíssimas exceções, ao invés de termos a difusão da verdade, o que tem sido propagado é generalizadamente, ou um produto de importação do momento, ou uma produção excelente com letras que amam meias verdades. Talvez tenham até mesmo sido escritas em cima disso.

Pois bem, faço uma referência a tão somente um desses “hits gospel” que certamente fez parte de vários momentos de encontros de igreja, mas que reflete um desdém pela teologia enquanto estudo da revelação na Escritura. Não conheço outro tipo de teologia que não aquela que se debruça sobre o texto bíblico e extrai dele aquilo que Deus revelou de si mesmo na história para que vivamos em conformidade com esse conhecimento.

Para alguns isso vai soar apenas como implicância, mania de criticar, inveja ou outra coisa parecida. Mas encaro esse desafio, afinal, nada podemos contra a verdade, senão pela verdade (2 Coríntios 13.8). Não posso me iludir ou iludir alguém com uma “meia verdade”. A Queda do Homem pelo engano de uma meia verdade continua sendo uma armadilha nesse mundo. Não podemos mudar isso, a não ser que nos revistamos da verdade (Efésios 6.14) e a tenhamos no íntimo (Salmo 51.6).

A verdade referida aqui é a mencionada no título deste artigo e que evoca o texto do capítulo 1 do evangelho segundo João. Neste, Jesus é apresentado aos leitores como a encarnação da Palavra de Deus, sendo ele mesmo a força criadora de todas as coisas, por meio do qual Deus fez o Universo pela Palavra do seu poder. E que em seu prólogo, o contraste entre luz e trevas nos fala acerca do conhecimento de Deus em oposição ao engano ou a rejeição desse conhecimento. Seguido a isso, João Batista é introduzido como testemunha da verdade. Jesus é aquele que veio ao mundo “cheio de graça e de verdade”, e por meio de quem a graça e a verdade nos foram definitivamente dadas. Mas que verdade é essa que João tem a falar a respeito e que seu livro visa tornar seus leitores não só esclarecidos, mas crentes?

A verdade é que Jesus explica Deus. Os sinais, palavras e atos de Jesus testemunhados pelo apóstolo João e mencionados nesse evangelho têm o propósito de levar aqueles que creem a uma consciência profunda disso. Disse ele:

Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. (João 20:30,31)

O objetivo de João é deixar claro que Jesus tornou Deus manifesto, posto que “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (João 1.18, grifo meu).

Não me baseio nesse versículo apenas, mas no fundamento da fé cristã, nos demais escritos todos do Novo Testamento e, naturalmente, em todo o propósito de João em seu livro e suas cartas. Essa verdade nos diz que, de fato, Deus “habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver” (1 Timóteo 6.16), ponto. Essa verdade permaneceu ímpar por centenas de gerações até que houvesse chegado a plenitude dos tempos.

O par perfeito dessa verdade para todo cristão é que Deus se revelou em Cristo Jesus. Isto é o que a palavra “revelou” significa. Deus se deu a conhecer na face de Cristo. O Filho tornou o Pai manifesto em figura humana, “ele é a expressão exata do ser de Deus” (Hebreus 1). Jesus veio para dar testemunho da verdade não unicamente com uma mensagem, mas ele mesmo é a Mensagem.

A palavra utilizada por João é a mesma que usamos para o termo “exegese”, que é interpretar, trazer para fora o significado contido, recontar, expor, explicar, conduzir um ensino. Jesus é a “exegese” de Deus para nós, a Mensagem viva, ele explica em si mesmo, por termos humanos, como Deus é.

Jesus explica Deus para nós, não apenas porque precisamos conhecê-lo, mas acima de tudo porque conhecê-lo é ter a vida eterna: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17.3). Essa é a verdade que faz par com a incognoscibilidade de Deus (impossível de ser conhecido).

Sem ela, não há esperança de sermos preenchidos de Deus como Jesus, não há esperança de ressurreição, de imortalidade ou de vida eterna. Por mais bela que seja a canção, sendo uma meia verdade, será apenas uma mentira enfeitada com o intuito de ser agradável. Considero que nada há mais agradável aos ouvidos e ao coração daquele que crê do que a verdade aqui exposta: que Jesus explica Deus.

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