Somente a Escritura – Parte 2

2 Timóteo 3.14-17

Sugiro a leitura da parte 1 deste estudo antes de continuar.

Diante de um cenário previsto pelo próprio Senhor, em que nos últimos dias homens de fé já seriam raros e o amor viria a esfriar de quase todos, Paulo igualmente prenuncia um agravamento no espírito humano por conta da rejeição das virtudes contidas no evangelho. Assim, ele recomenda a Timóteo que permaneça na prática da piedade aprendida de Paulo, que aprendeu do Senhor. A ele havia sido confiada esta responsabilidade de ser cristão num mundo de impostores e perversos que vão de mal a pior (v.13)

Timóteo não deveria abdicar de tudo que aprendeu nas “sagradas letras”. Esse termo se refere tanto ao caráter santo da Escritura quanto ao aprendizado dela. Ele havia sido ensinado no bom caminho desde sua tenra infância (veja Provérbios 9.9 e 22.6). Paulo então afirma o meio pelo qual Timóteo e seus ouvintes poderiam experimentar livramento (4.16): seguir o exemplo e o ensino de sua mãe e de sua avó (1.5) e pela Escritura que é capaz de fazê-lo sábio. A palavra “…de quem..” é plural, por isso entende-se que a referência de Paulo aqui é às mentoras de Timóteo na fé, Eunice e Loide. Foi delas que ele aprendeu o bom proceder. Além disso ele vinha seguindo de perto a Paulo. A Escritura e o exemplo de vida que sua prática gera fundamentam o discipulado para todo cristão.

Portanto, a boa doutrina que Timóteo conheceu em sua infância e também em sua vida adulta vinham de modelos pessoais de piedade. Esse sem dúvida é o argumento mais importante de Paulo aqui por considerar o surgimento de heresias pelo desacordo com a Escritura e o (mal) exemplo de vida dos falsos mestres (veja Lv 18.30; Mt 23.1-3; 3 Jo 1.11).

Finalmente Paulo explica a importância da Escritura na vida de Timóteo. Ele já abordou a relevância do Antigo Testamento na infância de Timóteo, mas agora ele aponta que por meio da aplicação à leitura (1 Tm 4.13) da Escritura ele pode ser enriquecido em sabedoria acerca da salvação, que se dá pela fé em Cristo Jesus. O AT é esclarecido e aplicado através da fé em Cristo aguardada desde muito. É importante salientar isso porquanto o próprio apóstolo lembrara que a reinterpretação do AT é que traria os hereges e impostores a ensinar na igreja o que nem mesmo eles compreendiam, apesar de fazerem severas advertências. Entenda que se alguém julga ser pastor ou mestre (ou qualquer outro nome/título) na igreja, não basta saber a Bíblia ou apresentar “novas” nem mirabolantes interpretações, é preciso ter vida exemplar. A Escritura não foi dada para discussões, mas para promover o serviço de Deus na fé (leia 1 Tm 1.3-7).

Dito isso, Paulo então tece uma série de características e de estímulos a partir da Escritura. Seguem:

“Inspirada por Deus (v.16)”* • Significa que a Palavra de Deus é o seu “hálito” que dá vida. Pedro nos diz que fomos gerados pela Palavra de Deus (1 Pe 1.23). Na Escritura o Espírito de Deus fala, pois ele a inspirou (2 Pe 1.19-21).

Ela é útil: a) “para o ensino.”* • O ensino da Escritura é o meio de comunicar conhecimento acerca da revelação de Deus por meio de Cristo. Isto é o mais básico para o cristão.

b) “para repreensão”* • As advertências que necessitamos estão na Palavra, ainda que não abranja cada situação possível, mas possui princípios aplicáveis para cada ocasião. Nesse sentido, a Escritura não é um manual da vida, mas é ela que nos auxilia a percorrer esta vida como uma luz na escuridão (Salmo 119.10; 2 Pe 1.19). Os erros em doutrina e em conduta devem ser refutados atentando-se para a Escritura. Os perigos devem ser realçados a partir dela, e os falsos mestres devem ser expostos com base no ensino correto da palavra e no viver segundo o espírito da fé que ela promove.

c) “para correção”* • O pecador deve ser não só advertido a abandonar a vereda errada, mas deve ser também guiado na vereda certa. A Escritura é suficiente para encaminhar-nos no caminho certo.

d) “para preparação na justiça.”* • Cada cristão necessita ser disciplinado de modo que prospere na esfera onde a vontade santa de Deus seja considerada normativa. Todo cristão encontra na Escritura o suficiente para ser educado no caminho da justiça. Andar nesse caminho significa experimentar a formação do caráter de Cristo exposto na Escritura. É a prática do seu ensino que nos conduz a uma vida justa.

O objetivo é para que cada cristão seja íntegro e integralmente pronto para glorificar a Deus por suas obras. Paulo conclui afirmando que a piedade completa amarras todas as pontas de nossa vida para que não sejamos em nada deficientes..

Agora, atente que o homem não foi feito por causa da Escritura, mas a Escritura para o bem do homem. Vimos que Paulo abordou-a de uma perspectiva utilitária para conduzir o homem a uma vida piedosa. O alvo é a santidade do homem, não a mecanização deste, como era comum entre os fariseus. Também não se deve valer dela como matéria de discussão. Ela deve ser utilizada para produzir uma vida de serviço na fé.

Ela é o instrumento pelo qual o Espírito Santo fala ao homem e pelo homem e ilumina seu entendimento para glorificar a Deus em toda atitude. A Escritura é também o meio que Deus usa para nosso crescimento em sabedoria a respeito da salvação em Cristo. É pelo claro ensino dela que modelos de vida e fé se tornam cartas vivas do evangelho para que o mundo inteiro leia a mensagem de Deus segundo Jesus.

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