O Desenvolvimento da Vida Espiritual Cristã


Colossenses 1.13-20

Paulo escreveu esta carta a uma igreja que não fundou. Mas ele estava a par de que falsos mestres estavam influenciando alguns da igreja. O ensino desses hereges era sutil e racional. Porém não passavam de heresias destruidoras criadas pela artimanha humana e segundo as ordens ditadas pelo mundo pagão e judaico.

Esses ensinos, embora parecessem atraentes e espirituais, na verdade foram desmascarados por Paulo como rudimentos que diminuíam a pessoa e a obra de Jesus Cristo no coração e mente daqueles que haviam crido no evangelho. As filosofias ensinadas pelos hereges prometiam completar a obra de Cristo e acrescentar elementos práticos que os aperfeiçoasse no conhecimento de Deus. Essa era basicamente a ideia da heresia do primeiro século chamada de gnosticismo.

Aproximadamente dois mil anos depois, essa heresia continua atuante. Há uma leva de falsos líderes evangélicos que afirmam ter um conhecimento secreto, uma revelação a mais que os demais não possuem. Com isso, eles se colocam como autoridade sobre os outros e passam a dirigir a fé das pessoas com ritos e práticas que nada têm a ver com o Evangelho. São usos e costumes que não tem nenhum poder espiritual na vida dos que os praticam. E este é o meio pelo qual elaboram uma infinidade de coisas a fazer e manusear para obterem o que querem dos seus ouvintes, tudo em nome da fé, em nome de Deus, em nome de Jesus.
Sem dúvida, esse separatismo destruidor causado pela heresia mencionada tem sido a causa de contínuo abandono e desconfiança de qualquer nome ou instituição que possua algum tipo de organização ou estrutura denominacional ligada a lideranças, hierarquia, “doutrinas” etc.

A geração atual e a que está surgindo têm cada vez mais ido em direção à uma aversão a tudo que tem a ver com religião e instituição. Ao mesmo tempo e inversamente proporcional têm crescido o número de pessoas que buscam o que se denomina por espiritualidade, algo informal, líquido. Esses jovens adultos e jovens têm se mostrado abertos para uma espiritualidade prática que não tenha a ver com seguir o que outros querem que sigam. Elas têm desejado uma espiritualidade menos imanentemente controlada pelo homem e mais transcendente, voltada para uma relação pessoal com Deus.
Nesse ponto é importante o que Paulo tece acerca do fundamento da verdadeira vida cristã no Evangelho. Ele o apresenta através de ensinos que têm a ver diretamente com a pessoa e a obra de Jesus, sem as quais não pode haver vida cristã.

Toda prática e experiência espiritual que Paulo desenvolve têm como ponto de partida a pessoa e a obra de Jesus. São aplicações do evangelho na vida. Vejamos:

1- Jesus é o Único e Suficiente Salvador

“Ele nos libertou…” (vs.13-14) – Somente Jesus Cristo operou o que ninguém nem nada poderia operar para a nossa salvação. Vivíamos em uma condição da qual nada nem ninguém, em cima nos céus ou embaixo na terra poderia nos livrar, a não ser o Filho de Deus.

Nenhuma figura humana proeminente, nem anjos, nem qualquer outra força era capaz de romper os grilhões que Jesus rompeu. Ele nos tirou da condição de escravos das trevas e nos tornou livres. No entanto, ele não nos deixou seguir qualquer direção a partir daí. Ele nos libertou para servirmos a Deus em novidade de vida, para seguirmos os seus passos, seu exemplo de serviço e entrega a Deus. Gostaria que você entendesse como isso é importante.

Em 13 de maio de 1888 foi decretado o fim da escravidão no Brasil através da lei Áurea, assinada pela princesa Isabel. Diferentemente do que ocorreu nos EUA, aqui os libertos foram lançados à própria sorte depois da libertação. Eles foram libertos, mas permaneceram sem uma direção, sem um amparo, e muitos voltaram a vender seus trabalhos em fazendas, outros mudaram-se para cidades, mas passaram a viver de modo subumano, mulheres foram submetidas à prostituição e, então, a sobrevivência se tornou pior do que antes.

Do mesmo modo, fomos libertos por Jesus, mas não vivemos sem rumo nem abandonados. Fomos tirados de debaixo do domínio de Satanás e conduzidos para debaixo do senhorio de Cristo. Jesus pagou o preço da nossa libertação que era a obediência completa à Lei de Deus e o castigo de sua desobediência, cometida por nós.

Semelhantemente, quando Israel foi liberto da escravidão do Egito, Deus não os tirou sem ter um destino para eles, mas deveriam seguir em direção a Terra Prometida. Contudo, o exemplo dos que se rebelaram nos deixa claro que era necessário mais do que conhecer a direção, era preciso submeter-se ao senhorio de Deus. E o jugo de Jesus é suave e seu fardo, é leve. Só temos que tomar sobre nós seu jugo e seu fardo, aprender dele que é manso e humilde de coração (Mt 11.29, 30).

2- Ele é o Criador e Mantenedor do Universo

“Ele é a imagem do Deus invisível…” (vs.15-17) – O Jesus encarnado que conhecemos no Evangelho é a manifestação visível do Deus Criador. Ele não pode ser comparado à criatura. Toda a criação está debaixo do domínio de Jesus Cristo, ele é o soberano sobre todas as coisas e acima dele não há nenhum outro ser, quer humano quer angélico.
Antes que qualquer coisa fosse criada no céu ou na terra, o Filho de Deus já era e através dele tudo passou a existir. E é ele mesmo que preserva todas as coisas. Tudo pertence a Jesus e tudo é para ele, inclusive nós.

Quando Deus se revelou a Israel no Monte Sinai por intermédio de Moisés, ele deu leis ao povo para que vivesse por meio delas e conhecesse a Deus. Ali Deus disse que eles seriam seu povo e ele seria o seu Deus e que os faria uma propriedade particular. Muito mais agora Deus, ao enviar Jesus, e por meio dele, somos conduzidos ao pleno conhecimento de Deus e de sua vontade, já não por intermédio de homens, mas do Filho de Deus. Também muito mais fomos adotados na família de Deus e fomos selados pelo Espírito como propriedade dele, para sermos para o louvor da sua glória.

3- Ele é o Senhor da Igreja

“Ele é a cabeça do corpo…” (vs.18-20) – Jesus Cristo também é a Autoridade da Igreja. Ele é quem governa e dirige o corpo. A Igreja é o corpo dos redimidos que foram reconciliados com Deus. Deus deu a Jesus esse poder, e através dele sua Igreja é preservada e garantida no relacionamento com o próprio Deus. É através dele que ela vive e viverá eternamente.

Jesus Cristo é Deus Filho, e por isso ele é o único por meio de quem pode haver paz e reconciliação com Deus Pai. Ele fez isso ao encarnar e morrer na cruz derramando seu sangue. E mais, ele não reconciliou consigo mesmo apenas todos os seres humanos, mas todo o universo visível e invisível para ser Senhor de tudo.
Paulo deixa muito claro que Jesus não é um mero símbolo religioso ou mais uma parte da obra de Deus. Ele é o princípio e o fundamento de tudo o que há. Sem ele nada subsiste. Se alguém não está em Cristo não está na Igreja, e de maneira nenhuma pode ser dirigido pela Cabeça, pois nem parte do corpo faz.

A partir desses fundamentos Paulo fará aplicações práticas à vida da igreja de Colossos e mencionará quais são as suas orações em favor deles. Ele escreve sobre a necessidade de permanecerem firmados em Cristo; de ter cuidado com os falsos ensinos que não são segundo Cristo e sua obra expiatória; sobre a invalidação dos preceitos rituais do A.T. através da identificação com Cristo, pelo batismo, em sua morte; a urgência diária de fazer mortificar as obras da natureza terrena; sobre a responsabilidade de buscar a santificação no Senhor; dá aplicações de deveres entre pais e filhos, entre patrão e empregado e da necessidade de perseverar em oração.

Cada uma das exortações práticas de Paulo não se baseia em rudimentos do mundo, nem de moralismos, usos ou costumes. Seu ponto de partida é a verdadeira vida segundo Cristo, segundo a riqueza de Jesus revelada no Evangelho que se dá pela prática do Evangelho, a prática da verdade, a partir do que se aprende em Jesus e de Jesus. É precisamente o que diz aos Efésios: “seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a Cabeça, Cristo” (4.15).

Levando em consideração essas verdades apresentadas por Paulo, podemos refletir sobre as seguintes questões:

1- De onde você tira forças para desenvolver sua vida cristã, seu relacionamento com Deus?

2- Seu exemplo de vida cristã e fé se baseiam na pessoa e na obra de Jesus, ou em qualquer outra coisa ou pessoa que você julga ser confiável?

3- Qual o papel do Evangelho em sua vida prática?

4- Que importância tem em sua vida o conhecimento das doutrinas cristãs?

Minha oração, assim como a de Paulo aos que haviam crido no Evangelho em sua época, é que você seja cheio de todo entendimento, sabedoria, graça, iluminação e força do Espírito Santo para poder compreender o poder do Evangelho em sua vida a partir de Jesus.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Site desenvolvido com WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: