O Espírito do AntiCristo

Quando se fala de anticristo, há uma associação com algo estranho, aterrorizante e nada familiar. As pessoas associam essa imagem a uma entidade descaradamente perversa e inconfundível, como alguns personagens na história realmente figuraram. Hitler é uma dessas figuras repulsivas e que remetem muito precisamente ao espírito do anticristo. Contudo, vale questionar: quantos se tornaram seus seguidores? Quantos até hoje admiram e acreditam nos seus atos e ideais? Inclusive organizações denominadas cristãs apoiaram o líder nazista. Por isso, outra indagação devemos fazer: é realmente o anticristo uma figura tão desproporcional àquilo que as pessoas consideram aceitável? Ou seja: é mesmo uma figura repulsiva ou uma maneira de ser muito mais familiar e presente na vida de muitas pessoas?

João disse que o anticristo ainda viria, mas que muitos anticristos já existiam no primeiro século. Na verdade, o espírito do anticristo já está presente no mundo desde o primeiro homicídio, e foi tipificado por Caim e seus descendentes como a geração maligna da serpente. Tal espírito está mais presente do que se pode reconhecer de modo geral pela humanidade. Por tal razão, aponto alguns aspectos mais importantes para discernirmos o espírito do anticristo, que não é um fantasma, mas uma maneira de pensar, ser e agir que está fundamentado no que Satanás cogita, é e faz. Essas características são muito comuns em lideranças, os quais o Senhor Jesus designou como falsos cristos, falsos mestres, falsos profetas. Vejamos algumas dessas características.

1. Falso profeta: possui um discurso religioso, pois procede do meio religioso, mas tudo o que diz e faz é falsamente em nome de Deus. Não conduz ninguém a Deus, pelo contrário, seduz, explora e engana para desviar e afastar de Deus. Apesar de que a pessoa que faz isso nem sempre percebe estar sendo usada. Pode ser um agir e pensar instintivamente conformado aos desígnios do diabo, como Pedro e os demais discípulos nem sequer reconheceram. Jesus contudo o repreendeu (Mc 8.33). O falso profeta diz falar em nome de Deus, para a causa de Deus, contudo, o que ele quer são as coisas que representam a completude da cobiça humana: riqueza, bens e prazer. Falsos profetas falam, em primeiro plano, em nome de si mesmos. E, afinal, em nome do diabo, que é o inspirador de todo engano e ensino de demônios (leia 1 Tm 4.1-2; Ap 16.13-14).

2. Falsa autoridade: as grandes massas que apoiam e seguem dão a falsa impressão de que Deus está no meio disso. Os “sinais” que dizem fazer em nome de Deus são fraudulentos e visam apenas enredar seus seguidores para explorá-los sempre mais e mantê-los sob suas rédeas. Parece haver naturalmente nas pessoas cobiçosas uma necessidade pulsante de submissão. Como muitas vezes não alcançam suas cobiças por si mesmas, elas buscam qualquer meio que possa levar a satisfação de seus desejos. É aí que a figura autoritária entra como solucionadora dos anseios humanos. É assim desde o princípio, pois o diabo estava lá para ser o concebedor da cobiça e Eva, consentindo, deu a luz ao pecado, e o pecado à morte. O papel da autoridade usurpada é destruidor, basta ver como ela é o que faz em países totalitários ou com a menor inclinação para um regime ditatorial, inclusive nas democracias, ambiente mais que propício para a proliferação desse regime. A falsa autoridade usurpa um lugar e subjuga as pessoas que se deixam levar. Portanto, a falsa autoridade só prospera por ter quem dê a elas a sua autoridade (Ap 17.13).

3. Falsas promessas: promete-se paz e segurança terrenas por meio de lobby entre os políticos e importantes ambientes da sociedade, especialmente do Estado. Sua influência política é uma falsa promessa messiânica de boa vida num mundo que jaz em trevas e segue para a destruição. Bancadas supostamente cristãs não estão imunes a influenciarem governos para causas próprias. Sendo mais direto: lobbistas que se dizem cristãos, não raramente estão em busca de poder e de consolidação de posições, geralmente nos “currais eleitorais” das denominações. Porém, mais do que isso, o espírito do anticristo busca oferecer algo que, mesmo que possa dar, não lhe pertence.

4. Errante: Jesus disse que o caminho e a porta que conduzem à perdição são largos e bastante frequentados. De outro lado, o caminho e a porta que conduzem à vida são estreitos e poucos são os que a encontram. A linha que divide o caminho da perdição do caminho estreito é muito tênue para os ingênuos e instáveis, pois já que há muitos indo por lá concluem que esse é o caminho, no entanto são caminhos de morte (Pv 14.12). Não sabem para onde vão, apesar de caminharem a passos largos.

5. Antievangelho: são completamente opostos às boas-novas. Tudo o que remeta à graça salvadora de Deus em Cristo mediante a fé é rejeitado. São detestáveis diante de Deus. Aprendem sempre, mas nunca chegam ao conhecimento da verdade. Sempre retrocedem aos rudimentos e jamais acolheram as boas-novas, por isso lhe são aversivas. Tudo dever ser feito pela força da fé e do braço humano. A graça, não querem. Rejeitam, assim a única forma de salvação. Preferem o velho vinho e a veste velha.

6. Egoísmo: servem ao próprio ventre e pastoreiam a si mesmos. São a encarnação do escândalo para os incautos. Usam as ovelhas para o seu próprio prazer e não têm nenhum cuidado com elas. Dizem que tudo é para a promoção da fé de seus ouvintes, quando na verdade é para a promoção de seus interesses e cobiças escusos.

Ainda há muitas outras características que passíveis de serem elencadas de modo objetivo, a partir da Escritura. Contudo, há também elementos subjetivos cujo discernimento só é realmente possível à percepção do indivíduo, tão importante quanto discernir biblicamente. O Espírito Santo é quem concede ao cristão a visão necessária para não permitir que sejam enganados. Pois, como disse Jesus, os meios empregados são suficientemente capazes de enganar até os eleitos (Mt 24.23-24). Mas não serão enganados por que em cada um de nós está o Espírito de Jesus, que discerne todas as coisas.

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