Por que Jesus Precisava Voltar ao Pai?

“convém-vos que eu vá” (Jesus em João 16.7)

Jesus estava com seus discípulos à mesa pela última vez do mesmo modo que eles se acostumaram a vê-lo. As palavras são de despedida. O motivo das inquietações e tristeza é a perda de alguém em que se depositou muitas expectativas.

Jesus os encaminha para que não deixem de confiar em Deus diante do que eles veriam. A não deixarem que os fatos da vida, incluindo a morte, tirassem deles a confiança no Pai e em Jesus.

Então ele dá aos discípulos uma imagem daquilo que há além do que olhos jamais viram, ouvidos jamais ouviram e que jamais passou pela mente humana; aquilo que Deus tem preparado para aqueles que o amam. O Senhor falava de uma dimensão que transcende a capacidade humana de percepção física, mas que ele, como o Caminho, estava abrindo passagem. Jesus falava de sua partida e da vinda do Consolador. Também falava de um reencontro nas moradas do Pai, para onde ele os levaria depois de vir buscá-los.

Cridas, a cruz e a ressurreição surgem como o caminho que pavimenta a certeza de que o Pai tem muitas moradas. Por causa de Jesus e do que ele veio fazer, o Pai já tem muitas moradas em cada coração humano que singelamente o recebe em fé.

Jesus, ao enviar o Espírito, fez com que Deus tivesse muitas moradas em muitos corações. E não poucas vezes, ele abre novas moradas em nosso coração para que ainda mais o Pai ache lugar em nós.

Sob a perspectiva temporal, o Espírito é aquele que trouxe o futuro ao presente quando Deus nos fez habitar nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Agora do ponto de vista celestial, essa realidade pertence a uma dimensão em que nem o tempo nem o espaço possuem qualquer relevância, já que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia; e que ele está presente onde quer que dois ou três estejam reunidos em seu nome.

Por isso o Senhor disse: “convém-vos que eu vá e que o Espírito venha, então eu e o Pai viremos para ele (aquele que tem crido e amado) e faremos nele morada.” A necessidade da partida de Jesus era que os discípulos fossem preenchidos com o Espírito de Jesus, o Consolador.

Eles teriam dali em diante uma nova maneira de se relacionar com o Mestre. Ele não estaria mais disponível fisicamente. O ouví-lo, vê-lo e tocá-lo seria, a partir de então, um argumento entranhável de um testemunho que ficou apenas na memória: “ele esteve mesmo aqui. E a relação que temos com ele agora que ele se foi é muito superior à que tínhamos quando ele esteve fisicamente disponível.”

Para tentarmos entender essa relação precisamos chrgar o mais perto possível. E o mais próximo a que chegamos é quando alguém muito íntimo falece. Quando aqueles a quem amamos partem, é como se um espaço vazio se criasse no mais profundo da alma. Com o passar do tempo e da vida, esse espaço parece ir diminuindo, mas sempre está lá. A isso chamamos saudade. A bem da verdade é que perdemos o contato físico e vamos ganhando contato apenas no interior. É como se aquela pessoa passasse a existir agora unicamente dentro de nós. Aos poucos ela vai entrando e se acomodando, embora achemos que esteja saindo. Logo, lembrar já não dói tanto quando no início.

Não podemos ignorar o poder de impressão que a morte de alguém amado tem em nossa alma. E acredito que essa nova maneira de nos relacionarmos com os entes amados que se foram fisicamente pode servir como uma pálida explicação do que uma nova morada aberta em nosso coração para a habitação do Pai em nós significa. Não tem a ver com espíritismo ou coisas do tipo. Tem a ver com amor.

A partida de Jesus implicou uma grande abertura na alma dos discípulos para quem Deus é e para quem Jesus é. A ressurreição tornou essa percepção ainda mais aguçada já que ficou claro que, em Cristo, a morte não tem mais o propósito de separar, mas de unir de uma maneira profundamente marcante. A morte é como um “até logo”, uma partida temporária que precede um reencontro definitivo.

A ida do Senhor é o caminho pelo qual cada um dos seus é levado ao mais interior da intimidade do Pai, como ele mesmo, Jesus, permanece em seu amor desde antes da fundação do mundo, e nós que permanecemos em Jesus também permanecemos no amor do Pai.

Convinha que Jesus fisicamente partisse para que Jesus espiritualmente, porém de fato, estivesse presente para sempre. Pois afinal, recebemos o Espírito que nos selou para o dia da redenção. Eis que ela se aproxima.

Amém! Vem Senhor Jesus.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Site hospedado por WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: