Deus Quer Que Eu Me Case?

1 Coríntios 7.25-40

Muitas pessoas solteiras têm certeza de que seriam mais felizes se fossem casadas. Muitas pessoas casadas se sentem convencidas de que seriam mais felizes se fossem solteiras. Há muitas combinações possíveis para demonstrar a insatisfação que algumas pessoas têm com o casamento.

A frustração também está presente quando uma grande ou ilusória expectativa foi fantasiada sobre o casamento. Além de muitas dificuldades como a de convivência, infelicidade, “incompatibilidade”, problemas financeiros, falta de liberdade, interferência familiar, discordância sobre filhos, existe a questão da relação sexual, que é igualmente vulnerável em uma relação matrimonial.

Ser uma pessoa solteira traz algumas vantagens que os casados ocasionalmente não possuem, como não ter que prestar contas a ninguém, não possuir uma preocupação com quem ficou em casa quando precisou viajar, a receita financeira não é dividida, silêncio em casa. Por outro lado, também há muitas desvantagens em comparação às pessoas casadas, que podem ter a companhia e ajuda de alguém sempre que precisa, alguém com quem pode conversar sobre tudo e qualquer coisa, aconselhamento mútuo, uma sintonia de ideias e percepções que vão além da coincidência e do óbvio.

Enfim, ser solteiro também tem suas dificuldades. Os problemas e benefícios da vida solteira e de casado ficam apenas no campo da diferença, pois não creio que haja realmente uma hierarquia aqui. Haverá momentos em que será melhor ser casado, em outros, solteiro. Em determinadas situações seria pior se não tivesse casado, já em outras, se tivesse permanecido solteiro.

Diante de um cenário tão diversificadamente sujeito à instabilidades, é natural que surjam os seguintes questionamentos: vale a pena casar? Deus quer que eu case? Nasci para casar? Tenho que casar? Deus quer que eu seja solteiro ou solteira?

Ao longo deste post trarei alguma luz sobre este assunto a partir do Novo Testamento e levantarei outras perguntas. Nosso texto de partida é 1 Coríntios 7.25-40.

Nessa primeira carta, percebemos que houve uma anterior em que os crentes coríntios escreveram expressando algumas dúvidas e solicitaram a opinião de Paulo sobre determinados assuntos. Esses assuntos e questionamentos são explicados e respondidos pelo apóstolo no que chamamos de a primeira Carta aos Coríntios. Inferimos essa informação pelo que Paulo menciona logo no início: “quanto ao que me escrevestes…” (1.1). Daí ele segue elucidando os temas levantados pela igreja em uma carta anterior a respeito da qual nada sabemos.

Nas questões iniciais Paulo se valeu do mandamento que o Senhor deixou acerca de:
a) indissolubilidade do casamento;
b) a concessão feita ao divórcio.

Este mandamento está em Marcos 10 e Mateus 19, entretanto será nosso estudo em outra ocasião.

A isso, segue o que Paulo aplica sobre a condição do homem em relação à mulher e vice-versa:

– Está casado no Senhor, permaneça casado. E dê atenção às suas obrigações do casamento. Mas se vier a separar-se, não se case mais ou que se reconcilie com seu cônjuge.

– Está casado com incrédulo, se há consentimento do incrédulo, permaneça casado; caso contrário, se o incrédulo quiser separar, separe. Deus chamou vocês para viver em paz.

Contudo, por causa da ocasião, o apóstolo inclui a flexibilidade, dentro das devidas condições, para outras situações, para as quais não tem mandamento do Senhor. Isto por reconhecer que há mandamento claro acerca do casamento, mas não quanto a vida de solteiro. A única que temos mais próximo disso é que o Senhor disse haver pessoas que nasceram com esse dom (ser celibatário, eunuco, solteiro, casto), outras a quem essa condição fora imposta, e por último, outras que a si mesmo impuseram essa condição por amor ao reino de Deus (Mateus 19.10-12). Jesus convoca essas pessoas a assumirem sua condição de solteiros se assim foram dotadas.

1 A Opinião de Paulo

Pois bem, voltemos ao que o apóstolo dizia. A “opinião” de Paulo aparece no verso 25 e no verso 40 que tem o significado de sugestão, suposição, uma determinação ou ainda uma ordem estabelecida e firme.
A opinião de Paulo é a de alguém que, em humildade, reconhece ter sido alcançado pela misericórdia de Deus para ser fiel. Quanto à situação de pessoas que nunca casaram (v. 25ss; virgens), Paulo já afirmou não ter um mandamento da parte do Senhor Jesus. Dessa forma, ele prepara seus leitores para o fato de que sua opinião deve ser considerada como recomendação válida, digna de alguém que recebeu a misericórdia de Deus para isso, em fidelidade. E para fechar o assunto (v.40) ele deixa bem claro que tem o Espírito de Deus, o que faz da sua humilde opinião um conselho digno de um mandamento do Senhor.

Recomendou ele:

– Está viúvo? Permaneça viúvo. Mas se não consegue se conter (sexualmente), melhor se casar, mas somente no Senhor (com mulher cristã).

– Nunca casou? Não procure casamento. Mas se não possui o dom do celibato, é melhor casar.

Em ambos os casos se tem em vista a questão do celibato e da incontinência. Há pessoas que não conseguem nem podem ficar solteiras, pois do contrário, seu desejo sexual as faria enveredar pela promiscuidade, assumindo relações com vários parceiros enquanto persistissem em ficar solteiras. Contudo, há um reconhecimento de que também existem pessoas que conseguem manter a si mesmas em uma condição de celibato, isto é, de não ter relações sexuais e não usar subterfúgios como a impureza (promiscuidade) e, possivelmente, a autogratificação sexual (masturbação).
Então, Paulo dá o seu conselho sobre quatro circunstâncias para aqueles que nunca se casaram:

1) O casamento para tais pessoas é uma opção que não incorre em pecado (v.28); isto é, se essas pessoas consideram em si mesmas terem o dom de permanecer solteiras e puras, casar se torna uma opção. Escolhê-la não significará um pecado, como alguém casto poderia supor.

2) A solteirice é uma condição mais propícia para uma vida integralmente consagrada (v.34); ser solteiro também é uma bênção, um dom de Deus, desde que reconhecida de maneira fiel e adequada. É uma liberdade que casados não possuem da mesma maneira.

3) Em um compromisso de noivado onde as circunstâncias exigem, é melhor casar, com isso ninguém peca (v.36);

4) Em situação onde não há nenhuma obrigação, interna ou externa, para se manter inupto (solteiro), bom será permanecer assim (v.37).

2 O Intuito de Paulo

O fundamental é o seguinte: que cada pessoa viva com o dom que Deus lhe deu, e que cada um permaneça na condição em que foi chamado (vs.7, 17, 20, 24, 26). Casar é um dom, não são todos que o recebem. Mas quem recebeu, que o assuma. Permanecer livre, também é um dom de Deus, quem o recebeu que assuma também sem nenhum temor.

Seguido a isso, Paulo declara os seguintes desejos, frutos de sua sabedoria pessoal:

a) Que os cristãos sejam poupados de sofrer angústias (v. 28)

b) Que os crentes se vejam livres de preocupações (v.32);

c) Que os castos e os não casados se dediquem integralmente ao Senhor (32-35).

Seu propósito para com a igreja de Deus era que cada um vivesse de acordo com o dom que recebeu e não se obrigasse a uma situação contrária apenas por ter um conceito próprio ou de outros que lhe causassem problemas como a impureza e a falta de paz, respectivamente na vida de solteiro e no casamento.

Com isso, Paulo começa a dirigir nossa atenção para o que realmente mais importa nessa vida, e não é simplesmente decidir ou não casar-se.

O apóstolo elucida a base de seu intuito (v. 29-31). Nós vivemos à luz dos últimos dias e da aproximação de uma nova era (reinado de Cristo). Diante disso, todas as questões circunstanciais e terrenas não terão mais o lugar em nossas vidas que hoje ocupam. O uso que se faz das coisas a nossa volta deve ser com o entendimento de que o lugar delas é nesta vida. “Todo contato com o mundo deveria ser o mais rápido e insignificante possível” pois a aparência do mundo passa e isto está acontecendo nesse exato momento.

3 Vida de Solteiro

Diante do exposto, as experiências legítimas da vida, como o casamento, não devem ser colocadas como um propósito sine qua non para ser feliz e obedecer a Deus. Paulo reconhece até mesmo o contrário, que quem casa faz bem, mas quem não casa faz melhor. E a mulher que se mantém viúva, em sua opinião, será mais feliz do que se propor a arranjar novo marido. Paulo demonstra que ser solteiro é um estado de vida completo, enquanto o estar casado divide a vida.

No entanto, não se está colocando o matrimônio como algo ruim ou pior que a liberdade. O que Paulo busca é apenas colocá-lo no seu lugar: que é uma realização da vida terrena, e sujeita a preocupações e aflições como tal. Ordenada por Deus, mas para esta vida apenas. Pois na regeneração não haverá mais lugar para união matrimonial, como revelou o Senhor Jesus (Mt 22.30).

Logo, qual a vantagem de casar? Muitas. Quero apenas mencionar as que, provavelmente, sejam fundamentais:

I) obediência a Deus (se dele recebeu esta ordenança);

II) o mútuo auxílio de marido e mulher;

III) propagação da raça humana;

IV) refrear a impureza (promiscuidade). Com certeza existem muitos outros benefícios de estar casado, porém esse será tema para outra reflexão de modo mais livre e abrangente.

Conclusão

Que ser solteiro é um dom de Deus já sabemos. Mas algo que os pretendentes ao casamento e os já casados devem se aperceber é que casar é bom, mas não constitui o maior propósito da vida. Casar é bênção de Deus, mas o nosso fim principal continua sendo glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. O casamento propicia tanto gozos quanto aflições, mas servir a Deus não traz pesar, e isso pode ser feito tanto por quem é solteiro quanto por que é casado, embora o solteiro o faça mais livremente. Pois no final das contas, como filhos de Deus, todos estamos sendo preparados para o grande momento das bodas do Cordeiro, quando a Noiva, a Igreja imaculada, final e definitivamente estará unida ao Noivo. É para esse grande dia que estamos sendo preparados. Este é o maior objetivo do casamento: tipificar a união de Cristo e a Igreja.

Aplicações

  1. Busque na Palavra de Deus iluminação para compreender que o propósito da vida não é o casamento, embora seja algo bom, proveitoso e digno de respeito.
  2. Jamais negligencie o casamento com a desculpa de serviço a Deus, mas também jamais negligencie o serviço a Deus com a desculpa do casamento.
  3. Viva com seu cônjuge de maneira a se consagrarem mutuamente um ao outro, mas principalmente ao Senhor. Também é graça que os casados vivam a vida comum do lar.

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