Em Busca do Extraordinário

Lucas 5.17-26

Quando o nome de Jesus se tornou notório por causa do que ele ensinava e fazia, muitas pessoas passaram a segui-lo. Quanto ao seu ensino, as pessoas se maravilhavam da autoridade e sabedoria em suas palavras, embora nem ao menos fosse “letrado”. E a respeito de suas obras, o espanto sobrevinha àqueles que viam como Jesus fazia tudo com excelência, curando os enfermos, restaurando a vista aos cegos, a audição aos surdos e o andar aprumado aos mancos, coxos e aleijados (leia como exemplo Marcos 7.31-37).

Não obstante tudo isso, ainda permanecia a pergunta, mesmo entre os discípulos: “quem é este?” Tal dúvida deixava claro que embora muitas pessoas o seguissem, nem sequer haviam compreendido quem é Jesus. E nada mudou até os dias de hoje. Há muitas pessoas afluindo deixando as igrejas lotadas em busca de alguma palavra ou milagre, mas nem sequer conhecem a Jesus no íntimo e o que realmente ele realizou de mais importante.

Contudo, esse é apenas um exemplo entre tantos relacionados às pessoas quem buscam a Jesus por motivações diversas. A seguir veremos alguns desses grupos de acordo com o texto bíblico de Lucas 5.17-26.

1. Pessoas que buscam contradizer (vv. 17, 21)

Muitas autoridades e mestres religiosos buscaram se aproximar de Jesus. Porém, o intuito da maioria deles não era seguir e crer nele, senão desacreditá-lo diante do povo. Parece algo absurdo, pois esses especialistas da religião deveriam ter reconhecido a Jesus como o Messias da Escritura que tão bem conheciam. Mas foi, inclusive, por causa da inveja que o acusaram injustamente e instaram Pilatos a que o crucificassem. Desde o princípio do ministério público de Jesus esses homens estiveram à espreita, acusando, questionando, contradizendo.

Quando Jesus disse ao homem paralítico, o qual havia sido introduzido pelo teto da casa onde estava até ele: “Homem, estão perdoados os teus pecados”, os experts da lei se incomodaram profundamente com aquela afirmação. Para eles era absurdo um homem como aquele declarar perdão de pecados a outro homem sendo que quem faz isso é Deus. Questionaram pois para eles, Jesus não tinha recebido essa autorização, ao menos não que eles soubessem.

Esse grupo de pessoas é incapaz de crer em Jesus e de confiar nele. Conhecem bem algumas coisas da religião, mas seu intuito mais essencial é desacreditar a Jesus, pois se ele estiver certo, toda tradição e bagagem filosófica, moral e de reputação deles fica abalada. Nada querem com Jesus, a não ser ficar próximo para observarem seus passos e para tentarem apanhá-lo em algum tropeço. Sua motivação tem a ver com o senso de únicos detentores do que e como Deus pode ou não pode fazer e dizer algo.

2. Pessoas que buscam ser curadas (vv. 18, 19)

Em meio ao seu ensino, Jesus presenciou uma cena inusitada ao ver um homem paralítico ser baixado pelo teto da casa onde estava para ser introduzido à sua presença. Seus amigos ou ele certamente ouviram a fama de Jesus que dizia ser ele capaz de curar enfermos bem como todo tipo de mazela humana. Essas são pessoas que, mesmo diante das pequena fé que possuem, a praticam de modo a fazerem coisas ousadas, como os amigos do homem paralítico fizeram.

Sem nenhum pudor ou constrangimento, sem qualquer reconhecimento de empecilho, não tendo espaço para passar entre a multidão que rodeava a casa onde Jesus estava, decidiram fazer o impensável para muitos: subir no telhado, destelhar a casa e descer o homem até onde Jesus estava assentado. Não pediram autorização, não tiveram vergonha, não se delimitaram a qualquer barreira. A confiaça que demonstraram se manifestou de tal maneira que Jesus viu essa fé em prática. Diz o texto: “vendo-lhes a fé…” (v.20). Jesus viu a fé que tinham por meio da atitude que tomaram.

Eles desejavam ver seu amigo curado e criam que Jesus podia fazê-lo. A fé faz conexões simples assim, mas opera coisas grandes como nesse caso, e tantos outros, de pessoas que alcançaram de Jesus o que criam ser ele apto para conceder.

3. Pessoas que buscam ver coisas extraordinárias (v. 26)

No terceiro grupo temos a maioria dos que rodeavam a Jesus. Essas pessoas não sabem quem de fato Jesus é, não entendem o que ele ensina, não creem a ponto de confiarem plenamente nele, apenas estão lá por gostarem de espetáculos. Ainda hoje, e, provavelmente, em medida muito maior, pessoas enchem templos por desejarem ver algo que lhes desperte o deslumbre, a fascinação de algo que lhes tire da vida corriqueira dando, de alguma forma, talvez, uma informação que irá se tornar um assunto de conversa: “hoje vimos algo diferente, algo extraordinário, prodigioso” (v.26). E só. Elas viram algo diferente, mas nada mudou nelas, não lhes despertou a fé em a curiosidade sobre Jesus a ponto de irem mais fundo.

Elas fazem propaganda, embora frequentemente Jesus tenha rejeitado esse tipo de fama, como podemos ler em Marcos 7.36: “Mas lhes ordenou que a ninguém o dissessem; contudo, quanto mais recomendava, tanto mais eles o divulgavam.” Por qual razão? Por que Jesus não precisava de uma propaganda sensacionalista a respeito do que ele pode fazer, pois isso só desviaria as pessoas do que realmente ele veio fazer e de quem ele é. Pois as pessoas passam a buscar um Jesus milagreiro, um curandeiro ou tipo de gênio da lâmpada pronto para atender todos os desejos e caprichos humanos sem que tenham um real encontro com o Deus Conosco e sem que compreendam sua (nossa) maior necessidade: o perdão de pecados.

4. Aquele que pode perdoar pecados (vv. 20, 22-24)

Nenhuma daquelas pessoas que seguiam a Jesus sabiam que para isso ele ensinava, curava, morreria na cruz e ressuscitaria. Dificilmente ainda hoje alguém busca a Jesus por saber que ele pode e perdoa pecados. Ninguém natural e sinceramente (com todas as implicações) reconhece pecado, e por isso o ensino de Jesus, não é compreendido e sua pessoa não é entendida. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo para que o mundo fosse salvo por ele. Jesus recebeu de Deus a autoridade para perdoar os pecados humanos. Essa é incomparavelmente a coisa mais extraordinária que alguém, nessa vida, pode esperar ouvir e saber de Jesus: que os seus pecados são perdoados.

Era por essa razão que Jesus andava e comia com pecadores, era conhecido como amigo de cobradores de impostos e prostitutas, de gente marginalizada, pois são essas que primeiramente conseguem reconhecer que têm pecado, que Jesus pode perdoá-los, e que creem nele. Entendedores da lei e da religião não discerniam isso por que se achavam não serem pecadores. Eles se ofendiam por Jesus parecer alguém santo, mas que andava com “gente que não presta”. A resposta dele a essas pessoas foi: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.” (Lc 5.31-32)

Assim, se alguém quer realmente vir a Jesus, conhecê-lo e ter seus pecados perdoados basta fazer o seguinte:

a) deixe-se conduzir a ele. Creia, e, mesmo que “não tenha pernas”, nem meios de chegar até ele, permita-se crer que de alguma forma, por mais inusitada que seja, sua confiança e entrega o conduzirão à presença dele. Não adianta ir a ele com seus próprios pés se não estiver diante dele em fé.

b) dê razão a Deus e reconheça que você, assim como todo ser humano, é um pecador uma pecadora cuja coisa mais extraordinária que precisa é ter os seus pecados perdoados. Jesus tem autoridade para isso, esse mandamento ele recebeu de Deus e ele concede gratuitamente. Apenas confie e reconheça que precisa do perdão de Deus, pois Jesus já pagou o preço na cruz para dar-nos perdão.

Somente assim, como aquele homem que antes era carregado em seu leito por ser paralítico, mas saiu carregando seu leito e dando glória a Deus, você glorificará a Deus. Glorificá-lo é dar razão a ele, é assumir e reconhecer que ele é verdadeiro. Como aquela multidão de pessoas que ouviram e viram o que Jesus fez com a vida de alguém que tem seus pecados perdoados, glorifique e reconheça que Deus deu a Jesus esse poder. Assuma que sua necessidade mais importante nessa vida é saber e ouvir de Jesus: “estão perdoados os teus pecados.”

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