Por Que Jesus Foi Rejeitado Pelos Seus?

João 1.11

Em seu curto, mas profundo ministério, Jesus lidou com muitas pessoas. Na verdade, com multidões. No entanto, é inegável pelos evangelhos que das multidões que o seguiam, apenas uma pequena parcela compreendia sua mensagem e chegava a crer quem era e o que viera fazer. A maioria tinha outras expectativas acerca dele e de sua missão. Essas expectativas entravam em choque com a realidade da mensagem de Jesus. Por conta disso, rejeitar sua mensagem é rejeitar a ele.

É provável que atualmente não seja diferente. Então, como uma forma de discernir a rejeição do Evangelho em nossos dias, vejamos quatro razões pelas quais as pessoas do primeiro século rejeitaram o ensino de Jesus sobre o reino dos céus.

1 – Por Má Vontade

A primeira razão de as pessoas terem rejeitado a verdade do Evangelho tem a ver, não com a mensagem, mas com a indisposição interior dos que a ouviam. Tal fato também justificou Jesus ter passado a ensinar às multidões sempre por parábolas.  Como os Evangelhos nos contam, ele usou essa abordagem por que as pessoas ouviam de má vontade.

“Por essa razão eu lhes falo por parábolas: ‘Porque vendo, eles não veem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’. Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão. Pois o coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos” (Mateus 13.13-15).

Jesus ensinou por parábolas por que os ouvintes tinham má vontade. Significa que mesmo tendo entendido o ensino de modo claro ou por parábolas, maior parte do povo não possuía real interesse na mensagem. Razão pela qual muitos o abandonaram, tendo em vista o relato de João 6. Na ocasião Jesus disse que deveriam alimentar-se da sua carne e dessedentar-se com seu sangue, dando a entender a necessidade de buscarem uma relação mais entranhável com a Palavra. Porém, a busca deles era por um Mestre que lhes dissesse o que queriam ouvir, não o que precisavam.

2 – Por Inveja

Essa sem dúvida é uma das razões mais soturnas, porquanto a liderança de Israel era versada na Escritura, e eles não apenas rejeitaram a Jesus como Messias, mas o fizeram sabendo quem ele era.

Até mesmo os irmãos de Jesus, no princípio, não compreendiam sua missão e também foram tomados de inveja por causa da sua fama. Diziam eles desdenhosamente: “mostra-te ao mundo”. Mas Jesus não faria isso, pois a despeito da fama, essa não era sua missão. O que seus irmãos e a liderança religiosa de Israel queriam para si, Jesus não buscava, porém a tinha. Motivação perversa, já que pela inveja rejeitaram a salvação dos judeus.

“‘Vocês querem que eu lhes solte o rei dos judeus?’, perguntou Pilatos, sabendo que fora por inveja que os chefes dos sacerdotes lhe haviam entregado Jesus” (Marcos 15.9,10).

No fundo, o que realmente os incomodava era o fato de que Jesus, em sua fraqueza, demonstrou seu poder. Ele não usou sua posição e poder como Deus para vantagem pessoal. Antes, despiu-se de sua majestade e revestiu-se da humilde posição de servo.

3 – Incredulidade

Essa sem dúvida é uma das razões cujas implicações teológicas talvez sejam mais severas do que as demais. Porquanto tendo rejeitado o Filho de Deus, também rejeitaram a Deus o Pai. A incredulidade caracteriza-se como a mais grave forma de rejeição porquanto não inclui o desconhecimento ou a incompreensão da verdade, mas consiste em uma resistência deliberada.

“Ao romper do dia, reuniu-se o Sinédrio, tanto os chefes dos sacerdotes quanto os mestres da lei, e Jesus foi levado perante eles. ‘Se você é o Cristo, diga-nos’, disseram eles. Jesus respondeu: ‘Se eu vos disser, não crereis em mim e, se eu vos perguntar, não me respondereis. Mas de agora em diante o Filho do homem estará assentado à direita do Deus Todo-poderoso’. Perguntaram-lhe todos: “Então, você é o Filho de Deus? ” “Vós estais dizendo que eu sou’, respondeu ele. Eles disseram: ‘Por que precisamos de mais testemunhas? Acabamos de ouvir dos próprios lábios dele’” (Lucas 22.66-71).

Dizer que era o Cristo seria o mesmo que afirma ser o Filho de Deus, logo, o mesmo que dizer ser Deus. Essa percepção teológica era muito clara ao Sinédrio e a todos os mestres da Lei. Jesus não negou, embora muitas vezes houvesse testemunhado isso. Eles não queriam saber de um homem que se dizia ser coigual a Deus, muito menos vindo da Galileia. O que todas as religiões têm em comum é o fato de seus líderes ou fundadores jamais se autoafirmarem como Deus. Jesus afirmou frequente e francamente dando muitas provas disso.

João afirma que “os seus não o receberam”. “Receber” aqui significa reconhecer que alguém é tal como ele professa ser. Os judeus não aceitaram Jesus da forma que Ele professou ser, ou do modo que João Batista testificou dele (1.29-32). Comparar 3.2, 4.42, 7.27 e 9.29. A rejeição se deu pela incredulidade.

Crer e seguir a Jesus não é o mesmo que uma religião, é crer e dar razão à verdade de que Deus habitou entre os homens para que os homens fossem habitados por Deus, como em Jesus. Mas seus corações eram duros demais para crer.

4 – Por Vaidade

A próxima razão descrita nos Evangelhos é que muitos dos seguidores de Jesus tinham expectativas messiânicas desarmonizadas com a Escritura. Muitos o seguiam por causa da comida, por que seus ventres haviam sido saciados. Tinham em vista uma carência terrena repetitiva, mas passageira.

“Jesus respondeu: ‘A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem lhes dará. Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação”. Então lhe perguntaram: “O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer? “Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou” (João 6.26-29).

Jesus precisou se esconder da multidão, pois logo após haver multiplicado os pães, eles o queriam proclamar rei. A vaidade era a força que inclinava os corações daqueles que o seguiam por causa de comida. Não queriam o Deus que promete lhes enxugar toda lágrima, extirpar definitivamente a fome, a sede e a dor. Eles queriam um deus-padeiro, aqui e agora.

A verdade do Evangelho ainda é rejeitada pelos mesmos motivos aqui apontados. E, para tristeza, pessoas que seguem a Jesus continuam a não compreender sua pessoa, obra e ensino.

Por outro lado, recebê-lo significa crer, aceitá-lo tal qual ele demonstra ser. Pois “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome;” (Jo 1.12)

E você? Recebeu a Jesus?

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