Síndrome da Infantilidade

Há muita gente crescida, mas pouca gente madura. Ao contrário do que os teóricos creem, a humanidade não está evoluindo em nenhuma área, nem biológica, nem política, econômica e social, nem filosófica. O processo que atualmente presenciamos poderia ser melhor descrito como entropia, a tendência ao caos e desorganização.

A hipótese da evolução biológica simplesmente foi incorporada aos demais aspectos da vida humana, mas fundamentalmente tem servido de pressuposto para o desenvolvimento da ciência e tecnologia. É a partir deste último caso, marcadamente, que tecemos parâmetros de aperfeiçoamento da humanidade. Isso se deve às aplicações da ciência tecnológica em diversos ramos.

Contudo, é precisamente a aplicação da tecnologia que tem demonstrado o quanto a humanidade é imatura e a organização social é erguida tendo a imaturidade como fundamento. A crítica seria hipócrita se fosse dirigida à tecnologia em si. Mas não é a tecnologia que deve ser causa de preocupação, mas quem a cultua como a mais proeminente evidência evolutiva.

Quando olhamos para os problemas que a humanidade cria por causa da tecnologia, não é difícil entender que não passamos de meninos mimados embeiçados por seus brinquedos tecnológicos. Entenda brinquedo tecnológico em sentido amplo, envolvendo conceitos que vão de aparelhos celulares a concepções ideológicas. Dinheiro, legislação, fama, veículos, informação, influência, poder, controle, filosofia e até mesmo a espiritualidade, não passam de brinquedos nas mãos de meninos. Ao sentirem qualquer ameaça a esses penduricalhos, o homem mostra o quanto é infantil. Ele esperneia, odeia, causa guerra, destrói, difama, humilha, despreza, mata, engana, suborna, trai, inventa males, explora, seduz, ameaça seu próximo quando seu brinquedo está sob ataque ou é tirado. Não é possível que ainda possamos dizer que a humanidade está evoluindo enquanto trata seu semelhante dessa maneira. Essa é uma infantilidade crônica, uma característica muito anterior a qualquer primitividade.

Tudo se resume à consciência de o homem achar que possui alguma coisa, embora todos tenham nascido de mãos vazias e vão morrer do mesmo jeito. O homem nada possui, e se quisermos realmente conhecer uma pessoa madura temos que encontrar alguém que trata com dignidade o seu semelhante. Maturidade tem a ver com a forma de ver as pessoas e o mundo, e como os tratamos.

Costuma-se desdenhar a Bíblia enquanto palavra de Deus por que indivíduos olham e veem tantas barbaridades praticadas em nome de Deus em suas páginas. Mas esse desprezo é seletivo, pois essas mesmas pessoas ignoram que a própria história humana foi escrita com letras de sangue em nome do homem. Além disso, a Bíblia retrata a história da humanidade como ela tem sido (má) e aponta como deveria ser (boa), ou ainda, como Deus deseja que a humanidade faça com que seja, pois ele tornou isso possível através de Jesus. A Bíblia apresenta o relato da história humana e como Deus agiu para redimi-la. E é a própria Escritura que afirma ser o amor o caminho excelente, o caminho da maturidade em 1 Coríntios 13.

Neste capítulo, até mesmo os dons espirituais como o de realizar milagres, do conhecimento, de falar em diferentes línguas, de anunciar as coisas futuras estão sujeitos ao mau uso pelo homem, a menos que aprenda a empregá-los para o bem do próximo. O amor permanece e permanecerá, pois, como também está dito: o amor é o vínculo da perfeição, do estado mais inteligente, da perfeição moral e espiritual humana (Cl 3.14). É também a característica divina por excelência, pois quem ama é nascido de Deus, afirmou João em sua primeira carta (4.7)

“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.”

1 João 4.7

A humanidade ainda está engatinhando e a maturidade não é um estágio que necessariamente acontecerá, como no processo biológico. Maturidade tem relação com as escolhas que fazemos. Quem escolhe amar opta pela maturidade e ela traz muitas lutas e dificuldades, pois vivemos em um sistema em que o tempo todo somos pressionados a permanecer infantis e acostumados a sermos servidos, como bebês mimados e chorões.

Se você acredita que temos poucos exemplos de seres humanos maduros, você está com a razão. A maioria esmagadora padece da síndrome da infantilidade congênita. Mas não precisamos esperar ver a maioria se tornando madura para sermos maduros. A maioria sempre segue seu próprio caminho, como um rebanho. Precisamos apenas de um exemplo. E Jesus é o exemplo que a humanidade precisa, já que ele é a arquetipia plena da humanidade amadurecida pelo amor, e a evidência mais contundente de que Deus é amor.

Jesus amou aos seus até o fim, como disse João (Jo 13.1). Todas as suas motivações foram fundadas no amor. Em sua fraqueza ele nos amou, pois éramos fracos. Em sua glória ele nos ama, pois deseja que sejamos participantes dela. Jesus é o exemplo e o caminho de todos aqueles que amam e que buscam crescer por meio do amor. Se hoje amamos, é por que ele nos amou primeiro.

Não tem a ver com diferenças de cultura, economia, política, etnia ou de crença, tem a ver com a única atitude capaz de nos unir em um vínculo de real maturidade. Tem a ver com escolher sermos maduros, a sermos adultos, humanos como Jesus.

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