O Fruto Proibido: Conhecimento do Bem e do Mal

Gênesis 2.17

A tentação do conhecimento do bem e do mal vinha acompanhada de duas implicações opostas: não comer e viver na eterna “ignorância”, ou comer, viver pouco, mas perpetuar o “conhecimento”.

Não comendo, permaneceriam vivos, porém não seriam “conhecedores do bem e do mal”. Vale ressaltar que o bem já era conhecido. Equivale dizer que ambos se tornaram portadores de uma ambivalência em suas consciências ao perceber que aquilo que foram induzidos a achar que seria para seu bem, terminou sendo seu mal; enquanto o que era-lhes propriamente o bem, fora distorcido e substituído por um aparente bem que lhes fora negado.

Sabemos que a ingerência alienígena causou em ambos uma suposição de algo melhor ao qual não tinham acesso, algo como somente Deus poderia apreender. De fato, só Deus conhece o bem e o mal, e somente ele pode existir sem que isto lhe afete.

O ser humano, entretanto, ao “abrir” seus olhos para o pressuposto maniqueísta tornou seu olhar condicionado. Seu derradeiro discernimento da realidade o levou a considerar que Deus havia posto algumas coisas na existência cuja natureza e ordem pareciam destoantes e supostamente não condizentes com a plena verdade dos fatos. Um sentimento de inadequação tomou conta e, ora instalada a ambiguidade, como em uma imagem fragmentada, o ser humano dividiu-se, restando um reflexo distorcido de si mesmo e do bom mundo de Deus.

E este Deus, outrora uma presença misteriosa porém suave e bem-vinda como a brisa da manhã, agora, como que contemplado através de um espelho quebrado, era visto como uma figura assombrosa, de quem se encobre, se esconde, se envergonha. Estava posta a distorção da realidade e a fobia de Deus.

Daí surgem todas as confusões resultantes de uma percepção através de lentes trincadas. A primeira distorção foi a pessoa de Deus e a aprazibilidade de sua comunhão. Tornou-se como alguém de quem se ressente, resiste, se vinga no outro. Pois mesmo sendo o homem uma semelhança distorcida, ainda lhe resta a imagem divina.

Contra este Deus o homem se levanta, blasfema, trai, mente, exterminando seu irmão, seu semelhante e igualmente criado à imagem e se.elhança de Deus. Em meio a paixão e a esperança de um resgate que viria através da gestação e de um parto dolorido, o descendente aguardado não vem e Caim, nome que signifca “recebi”, torna-se um fratricida revoltado contra Deus. A vinda do restaurador que infundiria a imagem do ser celestial nova e definitivamente no homem é adiada.

O homem, então, se vê como um fugitivo, criador da primeira cidade como forma de refúgio, alguém que será vingado pelo sangue derramado, se escondendo entre becos e vielas das casas de homens e mulheres aglomerados.

Não bastasse toda a tragédia familiar, o trabalho é árduo, cansativo e pouco produtivo, requer o suor do rosto, os cuidados com o joio e os espinhos. O que ao homem era bem, se tornou mal, a vida em morte, a bênção em maldição. Doenças e pragas, relações conturbadas, tudo fruto da ciência alcançada em troca da perdição.

A existência humana se tornou uma saga para suprir a graça por meio de confortos e soluções que preencham as lacunas da alma, que tornem a desgraça uma forma mais branda de reparação. Alguma maneira de fazer do mal, bem.

Do outro lado da História, o Deus da reconciliação, em busca do homem perdido, o único que pode realmente abrir os olhos e causar a conversão, transformando o mal em bem, absorvendo toda a maldição, na cruz tirou o véu e afastou a alienação. Expôs publicamente, que, para salvar a gente, do mal tira o bem e tira bênção da maldição. Ele mesmo se fez maldito por cada homem, para que todo homem se tornasse bênção outra vez.

A morte é real. Os males são reais. O pecado é real. O problema nunca foi o mundo. O problema sempre foi no homem interior. A tentação, sendo o sêmem da morte acolhido no útero da cobiça, gera um aborto por nome pecado. E o pecado tira a vida de quem o gerou. Tal é o ciclo da morte. Isso é o que torna o homem um ser dividido, quebrado.

Já agora, a morte não separa, as aparentes desgraças, mazelas, perdas e fardos, foram todos levados. Tudo já era assim, nosso olhar se desviou, nossa percepção se partiu e nossa mente se esboroou. Morte, doenças e males sempre fizeram parte, nós é que obstinadamente acreditamos que o mal que nós víamos era um bem negado pelo Autor da Criação aos seus. Quando na verdade, simplesmente esquecemos, que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus.

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