O Que Deus Quer de Mim?

Afinal, o que Deus espera dos seres humanos? Ou, mais especificamente: o que ele quer de mim? Todos nos perdemos em meio a muitas possíveis respostas ou em meio às dúvidas. Casar, ter filhos, não casar, não ter filhos, morar em tal lugar, ser feliz, ter o emprego dos sonhos etc. Essas são apenas algumas das possibilidades que as pessoas exploram em busca da vontade de Deus para suas vidas.

Em certa medida, todos sabemos muito bem o que Deus requer de nós. Apenas não estamos tão dispostos assim a aceitar essa resposta, pois desejamos nossa própria vontade na maior parte do tempo, é mais cômodo e confortável. Nossas aspirações de realização pessoal exercem muita pressão sobre nosso consciente e inconsciente, em nossos hábitos, vícios, costumes, atitudes e, por fim, nossos planos para o presente e o futuro. Quando estivermos prontos para assumir a simplicidade do que Deus quer de nós, veremos o quanto estamos distantes do que sabemos ser a vontade dele e fazer o que deve ser feito.

Em resposta à pergunta “o que Deus quer de mim?”, há duas sínteses: uma no Antigo e outra no Novo Testamento. Contudo, é possível encontrarmos outras em ambos. No entanto, todas elas sempre apontam em uma única direção: amar a Deus e amar ao próximo. Isso é o que Deus quer de nós, de mim, de você. Observação: não, não confie em buscar em outro lugar. Não há nenhuma outra fonte mais segura. Sim, nenhuma, incluindo (principalmente) pessoas (gurus, videntes sacerdotes, padres, pastores, bispos, o que for). Eles já têm suas próprias vidas pra cuidar. Não confie a sua vida a ninguém, a não ser a Deus em Cristo. Seja sensível, mas não seja ingênuo.

Dito isso, no Antigo Testamento (AT), podemos ler na lei de Moisés (Dt 6.4-5; Lv 19.18) o mesmo resumo que Jesus fez em Marcos 12.28-31 acerca do mais importante mandamento. O próprio escriba complementa a síntese de toda a lei do AT afirmando a superioridade do amor a todos os holocaustos e sacrifícios, reduzindo a religião judaica a uma forma direta, simples e universal de obediência a Deus.

Ainda no AT, os profetas desempenharam um papel fundamental de “desburocratizar” o que Deus quer do ser humano, já que os sacrifícios, holocaustos e ofertas constituíam e eram rodeados por uma infinidade de ritos e preceitos detalhados, aos quais os fariseus fizeram questão de acrescentar minúcias ainda maiores. Por exemplo, Oseias 6.6 resumiu toda a vida devotada ao Senhor a simplesmente exercer misericórdia e conhecer a Deus. Todavia, Miqueias foi quem mais direta e especificamente detalhou o que Deus quer de nós.

Pondo de lado todos os preceitos ritualistas instituídos, Miqueias introduz uma retórica de exagero dos ritos mosaicos com holocaustos, milhares de carneiros, rios de azeite, ou o próprio fruto das entranhas (prole) para se apresentar diante de Deus. Sua simplificação da vida religiosa consistia nisto:

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.”

Miqueias 6.8

Ao invés de salpicar o altar e todo o templo com o sangue de milhares de animais inocentes – todo dia, o ano todo, todo ano – a vida deveria ser coberta pela misericórdia. Você poderia questionar: mas é uma simplificação muito radical, não? O que fazer com todo o resto?

Certamente estamos falando de uma simplificação radical. Todos os ritos temporários e pedagógicos, tendo cumprido seu papel, foram postos de lado para que o que realmente importa tivesse a preeminência em nossas vidas. Mas isso não significa que por ser simples, é fácil.

Jesus disse ter um novo mandamento, apesar de que, como vimos, não era tão novo, a não ser por conta de sua demonstração mais profunda da parte de Deus, pois ele, em Cristo nos amou, nos ensinou como é o amor, e que nosso dever é amar uns aos outros como ele nos amou. Jesus simplificou a lei tendo o amor como o mandamento supremo, pois Deus é amor, e o amor emana de Deus, e quem ama é descendência de Deus.

“Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.”

João 15.17; veja também 13.34; 15.12

No entanto, como disse anteriormente, apesar de ser simples, praticar o amor nunca é simplório. Amar é sempre tomar atitudes baseadas na honra de Deus e no bem do próximo, nunca em nosso benefício em primeiro lugar. Praticar a misericórdia começa com a compreensão de que daqui em diante, uma infinidade de novas afeições e decisões irão impactar sua vida e de outras pessoas para melhor, por mais que implique o sacrifício de seu próprio conforto e bem-estar.

Por exemplo, Tiago diz que o sentimento afetuoso em relação a alguém necessitado de nada vale se não for acompanhado da atitude voluntariosa de prover o necessário daquele irmão ou irmã (Tg 2.15,16). Dizer ou orar: “Deus te abençoe” não comprometerá você em nada e não beneficiará o necessitado em coisa alguma. Então, pense nas infinitas possibilidades de exercício da compaixão que surgem dessa pequena atitude chamada amor. Apenas sua piedade e oração não irão suprir a fome, a sede e a solidão de ninguém, nem produzirão justiça.

Talvez não pudéssemos imaginar algo tão simples e ao mesmo tempo tão comprometedor. Será por isso que suprimimos o conhecimento do que Deus quer de nós e nos voltamos para tantas outras coisas? Seria essa a razão da rejeição da vontade de Deus, já que isso implica deixar de viver para si mesmo? Acredito que somente cada um, sincera e pessoalmente, pode responder a essas perguntas e tomar alguma atitude. Afinal, o que Deus requer de nós é simples, direto e claro. Ninguém, em lugar algum da terra, poderá dizer que não sabia.

Leia também o post “Qual a Vontade de Deus?

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