O Fim da Lei é Cristo

Poucas passagens são tão negligenciadas por causa de um sistema caduco operante do que Romanos 10.4. Qual parte de “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” não está suficiemtemente clara?Telos (fim) significa o propósito, o objetivo, a finalidade, o ponto final. Quando argumentou sobre a transitoriedade da lei mosaica, Paulo admitiu seu propósito essencial expondo que o resultado esperado ao fim da vigência da lei era apresentar o ser humano perfeito. Tendo cumprido cabalmente a lei, Jesus consumou o objetivo da legislação tornando-se ele mesmo o novo referencial à humanidade.

A justiça que não podíamos alcançar mediante a lei foi por ele plenamente adquirida. E qual a razão de não termos alcançado essa justiça mediante a prática da lei? Primeiramente, pela nossa incapacidade moral e espiritual. Todos tropeçamos em algum ou alguns pontos da lei, sendo por isso transgressores de toda a lei. E em segundo lugar, sendo essa a condição humana, Paulo assevera que a razão de ser da vigência da lei até que Cristo viesse se deu por causa do pecado (Rm 7.7; Gl 3.22-25). Portanto, a lei foi entregue para a finalidade de nos conduzir a Cristo, mantendo-nos sob sua tutela até que ele viesse. Quando, porém Cristo veio, ele cumpriu a justiça exigida na lei e também pagou pela punição das transgressões da lei que todos nós cometemos.

A verdade por trás disso é que só havia duas maneiras de ser justificado pela lei: 1. Cumprindo toda a lei durante toda a vida; 2. Morrendo para a lei. Jesus realizou ambas. Ele nunca transgrediu e ainda assim pagou com a própria vida o preço da condenação que a lei exigia. Por isso Jesus afirmou que sua vinda não seria para revogar a lei tornando-a inoperante, mas para cumpri-la e aplicar sua justificação a todos os que creem nele.

Também há dois frutos colhidos por aqueles que querem viver segundo a lei e não Cristo: 1. O desespero da condenação; 2. A necessidade de se abrigar em Cristo pela fé. É assim que a lei conduz a Cristo. Inevitavelmente crer em Cristo implica nossa identificação com ele em sua morte, logo, também nossa morte. E uma vez mortos, a lei não tem mais força para nos obrigar a viver conforme seus ditames nem para sermos punidos pelas suas ameaças.

A lei não se aplica a mortos. Nenhum “i” ou “til” passará da lei sem que tudo seja cumprido. Mas nós ja passamos. Na analogia paulina, enquanto viverem os cônjuges, um está obrigado ao outro enquanto vivem. Quando um morre, o outro está livre da obrigação. Uma vez que a lei jamais será revogada, a única solução para estarmos livres dela é morrendo para ela. Assim, morremos para a lei e contraímos novas núpcias com o Noivo.

É dessa maneira que entendemos Paulo vislumbrar uma nova forma de vida segunda a novidade que há em Cristo, não na caducidade da letra da lei. Fomos justificados para vivermos conforme ele, não mais segundo a lei. A letra caducou, seu término chegou quando Cristo chegou. Seu vigor durou enquanto ela conduziu os homens até Cristo, quando enfim, soltando das mãos da pedagogia da lei fomos entregues aos cuidados do Mestre Jesus.

Mas e a lei não continua a ser obrigatória? Paulo declara sua utilidade da seguinte forma:

“Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo, tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina” (1Tm 1.8-10).

Então, sim, a lei continua a vigorar para os pecadores, no entanto, para os que estão em Cristo essa é uma condição já superada, embora não estejamos sem “lei” para com Deus.

O apóstolo também observa que a lei de Cristo é o amor, logo, quem ama ao próximo cumpre a lei (Rm 13.8-10). Sendo assim, a lei suprema de Cristo é o amor, haja vista ele mesmo ter estabelecido aos discípulos: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.” Este é o novo tipo de vida que surge em Cristo, segundo uma ordem superior onde a lei do amor é inscrita em “tábuas de carne” pelo Espírito de Jesus, no interior, no coração. A antiga lei foi escrita do lado exterior, em tábuas de pedra, embora pelo “dedo” de Deus.

A lei ainda permitia alguns homens arriscarem a se vangloriar na prática dos mandamentos com hipocrisia. Mas a lei de Cristo não dá acesso a esse mesmo tipo de atuação, uma vez que o amor ao próximo é autoevidente, não se pode esconder ou disfarçar com palavras ou atitudes religiosas esvaziadas de eficácia.

Alguns ainda se sentem tentados a olhar para o aio da lei, pois a jactância é grande. Além disso, esse falso orgulho geralmente busca se impor aos outros que não têm seguido o mesmo modelo de hipocrisia.

A lei chegou ao seu fim, posto que nenhuma lei pode aperfeiçoar a natureza humana decaída. Cristo inaugurou uma nova vida livre das amarras condenatórias da lei. Mas é sempre bom se perguntar com qual você irá ficar: a lei ou Cristo? Sonde seu próprio coração e avalie a quem você tem obedecido. Pois a esse a quem tem obedecido a esse você está obrigado.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Site hospedado por WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: