Os Nomes de Deus

Segundo o dicionário Strong, a palavra “nome” vem do grego ονομα e concerne à palavra que evoca pensamentos, sentimentos, posição etc que são despertados quando é mencionada, ouvida ou lembrada. É uma forma de referir a algo ou alguém caracterizando suas ações, atributos ou excelência. Por exemplo, quando em português ouvimos, lemos ou lembramos do nome da estrela principal do nosso sistema solar, imediatamente surgem significados, sensações, imagens ou características desse astro, o sol. Então, um nome é uma forma característica da linguagem humana para designar e despertar um conceito ou sensação conhecidos e armazenados em nossa mente.

Quando a Bíblia menciona dezenas, centenas de nomes para se referir ao único Deus devemos entender que é uma acomodação à realidade humana, regida em quase sua totalidade pela linguagem. Deus é inominável, pois sua essência não pode ser compreendida por nenhuma criatura sua, logo, nenhum termo da linguagem humana pode definí-lo ou sintetizar todas as suas perfeições em palavras. Quando o Anjo do Senhor for enviado para Manoá ele lhe perguntou seu nome, está foi a resposta: “Por que quer saber meu nome?”, disse o anjo do Senhor. “Ele é tão maravilhoso que você não conseguiria entender!” (Juízes 13.18 NVT).

Quando proferidas, as palavras são, em última análise, um conjunto de vocalizações do aparelho fonador humano. Essas vocalizações foram então associadas aos objetos do mundo visível e a outras percepções da mente humana. Quando escritas, são a representação visual da vocalização e da associação. A vocalização e a associação sofreram diferentes codificações. A elas chamamos idiomas. Assim, cada nação ou povo desenvolveu ou adotou um sistema de expressão da linguagem verbal. Conforme o relato de Gênesis, essa variedade foi produzida pela própria ação divina em Babel.

Nesse sentido, existe algum nome certo ou maneira correta para se invocar a Deus? Será que o único Deus verdadeiro deixou que seu nome fosse revelado apenas para alguns privilegiados como uma espécie de palavra mágica ou gênio da lâmpada que atende aos pedidos quando mencionado de forma correta? Custo muito a crer que sendo esse Deus Todo-Poderoso e onisciente se rebaixaria a uma posição tão mesquinha e apequenada como essa.

Na última década ressurgiu um antigo pensamento a respeito do nome de Deus ou de Jesus. É bem provável que você já tenha ouvido falar sobre o verdadeiro nome de Jesus em aramaico ou hebraico, segundo o qual, esse seria o único nome que ele ouviria ao serem dirigidas orações. A verdade é que essa teologia é tão antiga quanto o próprio politeísmo e o paganismo.

O argumento de “especialistas” em grego, latim, hebraico e aramaico é que a palavra “Jesus” significaria “cavalo” no grego comum, por exemplo. Daí a conclusão que se tira é que seria uma blasfêmia e outras coisas inventadas pela imaginação e carnalidade humanas, bem típico do paganismo. Nessa forma de visão, o nome da divindade deveria ser pronunciado da maneira correta, ou que haveria a divindade certa para a ocasião certa a ser invocada. A principal corrente sobre o nome “certo” de Jesus vem do hebraico, cujo termo seria ישׂוע משׂח, transliterado “Yehoshua Mashiyach”, e traduzindo para o grego “Jesus Cristo”. Essa tradução está no Evangelho segundo João 1.41 e refere-se a Jesus de Nazaré, como também ficou conhecido. Os pressupostos para negar esse nome demonstram a completa falta de conhecimento linguístico, pois se baseia em argumentos tolos, como a não equivalência entre os alfabetos grego, hebraico e português. Realmente não há equivalência integral das letras dos alfabetos, mas isso se aplica àquelas que compõem o “nome certo” de Deus ou de seu Filho.

Há varios problemas nesse e em outros “argumentos” sobre o “verdadeiro nome” de Jesus. Todavia, essa discussão além de levar bastante tempo, também dificilmente convenceria aqueles que acham já estarem certos de tudo por terem descoberto uma “nova verdade”. Não preciso nem dizer as implicações dess traço pagão, pois todos os demais cristãos nesses dois mil anos supostamente teriam invocado alguém que não o Filho de Deus.

Além do mais, o nome hebraico do messias pode ser traduzido como Josué ou Oseias, já que em português ambos são equivalentes na tradução bíblica, pois a escrita é exatamente a mesma na língua original. Contudo, pela inscrição feita por Pilatos sabemos que o nome foi escrito em hebraico, latim e grego, como se lê em João 19.19-20. Isso significa simplesmente que “Jesus” foi traduzido para essas línguas provavelmente do aramaico. O fato de não haver a letra “J” no grego e no latim não significa absolutamente nada, pois no português há e ele geralmente é usado para várias palavras que são originárias do grego e latim, como “juri”, “jogo” etc. Esse apelo nem pode ser usado como argumento, já que o alegado “nome verdadeiro” também possui letras que não são do hebraico, como o “Y” não presente nem em grego nem em hebraico. Aliás, em hebraico sequer existem vogais, mas vocalizações.

Acrescente-se ainda que “Messias” e “Cristo” são termos do hebraico e do grego, respectivamente, que em português significam “ungido”, alguém que foi reconhecido publicamente como autoridade vinda da parte de Deus. “Cristo”, “Messias”, ou ainda “Hamashiyach”, não são nomes próprios, mas o título em línguas diferentes. O mesmo se aplica para “Senhor”, que em grego é “κυριος”. O termo é um título honroso, significando que o portador é dono de algo ou alguém, pois sobre eles têm o poder de decisão. O termo similar usado por Maria Madalena רבני ραββονι também tem esse significado, sendo traduzido como “mestre” nos evangelhos.

Outro falso argumento baseado em um suposto conhecimento do hebraico remete ao título honroso “Senhor”. Pessoas inexperientes com a língua hebraica e a pesquisa séria tiram conclusões precipitadas com base em termos isolados. É o que acontece com a palavra “baal” que, em determimados contextos remete ao falso deus cananita e outras vezes simplesmente a um cônjuge ou noivo qualquer. Vale ressaltar que essa palavra era usada pelos fenícios e cananeus para designar um homem como dono, senhor, marido ou proprietário, tal como chamamos hoje o fulaninho mais velho da mercearia de “senhor”. Já a tradução para a língua portuguesa de João Ferreira de Almeida preferiu evitar o verbete “senhor” para a divindade pagã Baal, já que SENHOR fora empregado em referência a YHWH (todas maiúsculas), para os judeus, em substituição ao nome próprio do único e verdadeiro Deus, por ser tido como ilícito pronunciá-lo. Já “Senhor” (só a primeira maiúscula) para o termo Adonai.

A conclusão a que esses “especialistas” prematuramente chegam é que não há diferença entre Baal e SENHOR ou Senhor, portanto nunca devendo os cristãos se referirem a Deus com esse termo usado na tradução. Mas até mesmo a palavra “Deus” podia ser usada para designar os falsos “deuses”, já que o termo é plural e confere um título honroso, sendo igualmente usado para se referir aos “juízes”, anciãos que ficavam às portas das cidades antigas para darem seu parecer sobre determinadas disputas entre indivíduos.

Um dos problemas na defesa de um “nome correto” para Deus é que as pessoas que se utilizam desse pensamento alegam ter recebido uma revelação a esse respeito. Então, se assim é, digo que esse deus que revelou nada mais é do que um deus pagão, pois são os adoradores pagãos que se usam de códigos e nomes secretos para invocar o deus adequado.

Um segundo problema é que o verdadeiro Deus não pode ser nominado, pois somente seres criados podem ser definidos por um nome e assim designados por quem tem autoridade sobre eles. Isso fica claro pelo fato de que Deus tenha revelado a Israel dezenas de nomes que não o definem, porém falam de seus atributos. Para mais detalhes irei disponibilizar um estudo completo em material de pesquisa compilado. Em resumo, os nomes que Deus permitiu a Israel chamá-lo nunca esgotam seu ser, pois são acomodações ao intelecto linguístico humano. Portanto, todos os nomes que hoje conhecemos pertencem somente a essa era.

Mesmo o nome Jesus será algo do passado, porquanto ele mesmo disse que terá um novo nome que ninguém conhece, senão ele mesmo (Ap 19.12). Este nome estará na mente daqueles que o amam e foram resgatados por ele (Ap 22.3-4). Hoje apenas o conhecemos pelo mesmo nome que profetas, apóstolos e discípulos o chamaram e ele se deixou chamar: Jesus (leia Atos 9.5; 22.8; 26.15), apesar de ele ser o Nome, o inominável.

Afinal, se o único Deus que conhece nossos pensamentos não souber que é a ele que estamos invocando, independente de em qual língua clamamos seu nome, então não haverá nenhum outro nome ou palavra mágica que mudará isso. Porém, cremos e sabemos que não há nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos ao invocá-lo, pois todo aquele que invocar o nome do Senhor (por sua ajuda) será salvo, pois ele sempre será aquele que pelo seu sangue nos resgatou dos nossos pecados. Esse Deus é inconfundível e imesquinhável por qualquer grunhido supostamente especial que saia da garganta dos seres humanos.

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