De Onde Procedem as Guerras?

A guerra tem sido um dos comportamentos humanos que menos mudou através de milênios. Tão básico quanto trabalhar pelo alimento, moradia ou proteção da família, a guerra também se origina de interesses e necessidades legítimas. E sempre que esses interesses se chocam com os mesmos interesses de outros um conflito surge. Inevitavelmente a guerra divide, pois cria lados e exige do defensor uma posição suficiente para preservar sua integridade e subsistência. E assim, ao longo dos séculos, a humanidade guerreou contra seus semelhantes em prol dos mesmos interesses, só que em perspectivas opostas.

Isso revela o quanto a guerra é realmente um comportamento contraditório, já que, mesmo tendo interesses comuns, as pessoas lutam para garantir os seus desbaratando o de outros.

Tiago 4.1 explica que a guerra tem origem nos desejos particulares em detrimento dos alheios. Por caprichos, inveja, e cobiça as pessoas e nações matam outras pessoas. Isso nos mostra como ainda não aprendemos nada sobre convivência pacífica. A conclusão inevitável a que se pode chegar é esta: guerras existem porque prazeres humanos precisam ser saciados. Sim, Tiago expõe a vileza dos conflitos humanos e sua mesquinhez ao nível da brutalidade animal e mesmo demoníaca (3.15).

Toda essa animalidade precisa de pouco ou nenhum pretexto para ser despertado, uma vez que esses prazeres estão constantemente à postos. Essa é a linguagem usada por Tiago para ressaltar o quanto somos inflamáveis. O termo militar strateuomai indica um batalhão de soldados em serviço, sob comando para a qualquer momento travar uma batalha. Mas por vezes alguns pretextos exteriores são postos como se fossem os reais motivos, como defesa nacional e patriotismo.

Por outro lado, para Tiago, mais do que a presença de prazeres criadores de conflitos existem dois elementos essenciais que, quando ausentes, aumentam as chances de que uma batalha seja travada: sabedoria e humildade.

É pela sabedoria que Tiago vê a única maneira de os seres humanos conviverem em paz. Diz ele: “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.” (3.17-18). Não precisamos de muitos argumentos para reconhecer a insensatez de uma guerra. No entanto, temos necessidade de sabedoria para discernir que assim como todos os seres humanos neste planeta, todos temos desejos a serem satisfeitos e que não os teremos atendidos simplesmente exterminando crianças, mulheres, doentes, idosos, famílias e cidades.

Indo um pouco mais a fundo, Tiago argumenta que a guerra reflete também uma falta de humildade. Em outras palavras: orgulho. Seu ponto principal na argumentação é que não somos humildes o suficiente a ponto de simplesmente pedirmos o que queremos. Daí iniciamos um conflito para tomarmos à força.

Sob uma ótica diferente, quando pedimos não obtemos, por pedirmos mal. Ele implicitamente diz que Deus não concede o que queremos porque nossa motivação é hedonista (4.3). No cerne, mesmo quando pedimos, nosso egoísmo continua a ditar nosso comportamento, não nossa sabedoria.

Deixando de lado os sentidos implícitos, Tiago claramente expõe que insistir neste tipo de comportamento significa que estamos declarando guerra contra Deus (4.4). Na expressão “Deus resiste aos soberbos” o termo “resistir” (αντιτασσομαι) significa que Deus se prepara para batalhar contra, se opor. Nossos desejos carnais são mais do que uma provocação, são uma trincheira armada que tem a Deus como inimigo do outro lado.

Isto não implica que o Senhor faça oposição como os homens fazem, ppr meio da destruição da guerra. A força centrípeta de sua resistência é a atuação de seu Espírito que anseia por nós (4.5). Nesse sentido, Deus deseja que abaixemos nossas armas, nos rendamos a ele e nos deixemos influenciar prla sua graça que é a fonte dos nossos mais sublimes prazeres em Cristo.

O desejo do Espírito é que sejamos uma fonte de amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl 5.22-23). Que nossa vontade se coadune com a vontade de Deus que é sempre boa, perfeita e agradável. Que nossos pensamentos e caminhos sejam altos como os dele são (Is 55.7-9). E finalmente, que entendamos haver muito mais nobreza, força e heroísmo naquele que é paciente e tem domínio sobre si do que no homem que é valente em uma guerra e o que invade uma cidade (Pv 16.32).

Assim, que nossa maior determinação seja a convivência pacífica, característica de uma genuína evolução do espírito humano que tem como referência o amor de Cristo que se doou por nós quando ainda éramos seus inimigos. E que vindo evangelizou a paz de Deus a todos quantos desejam acolher a paz e serem conhecidos como pacificadores, como filhos de Deus.

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