O Fator Ressurreição

“estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos” Apocalipse 1.18

Josh McDowell é mais conhecido pelo excelente livro “Mais que um carpinteiro” do que pelo homônimo deste post “Fator Ressurreição”. Assim como todo cristão, Josh crê na ressurreição de Cristo como uma evidência fundamental para a fé cristã.

Eu diria que tanto quanto a encarnação e morte de Jesus, sua ressurreição possui significado e implicações que vão desde a conversão dos cosmos a ele até o nosso coração dobrado diante da graciosa sabedoria de Deus.

A ressurreição mexe tanto com os que agora creem quanto com os que futuramente verão aquele que esteve morto mas vive pelos séculos dos séculos. Por isso, gostaria de discorrer sobre três pontos importantes sobre a ressurreição como uma convicção inabalável da fé.

1. Os Relatos Testemunhais

Há quem considere a ressurreição uma impossibilidade do ponto de vista puramente biológico. Para sustentar esse argumento, recorre-se, dentre outros apelos, à validade questionável do relato das testemunhas. É por causa desse argumento que teorias foram criadas e especulações foram feitas a respeito de uma suposta impressão emocional que Jesus deixou nos apóstolos. A partir daí, busca se atribuir aos apóstolos um exagero emocional pela ausência de Jesus após sua presença tão marcante e intensa durante aproximados três anos.

Quando Paulo escreve que além dos onze, Jesus foi visto por mais de quinhentas testemunhas ao mesmo tempo (1Co 15.6), entra em cena outro argumento em favor de uma possível alucinação coletiva. Quando o próprio Paulo se apresenta como testemunha ocular e auricular do Jesus ressurreto, ainda assim os críticos literários põem em dúvida o equilíbrio psicológico de Paulo.

Quando recorremos aos testemunhos nos evangelhos, os céticos acham que ganham mais força para desacreditar a ressurreição, tendo em vista que os relatos são divergentes. Segundo essa perspectiva, a falta de coerência dos relatos configuraria a dubiedade do fato. No final, prova-se mais que verdadeiro o dito de Jesus quanto a não crerem ainda que alguém viesse a ressuscitar dentre os mortos (Lc 16.31).

A validade dos relatos das testemunhas se dá em razão da divergência de fatos periféricos, o que naturalmente ocorre em qualquer situação até hoje. Os diferentes pontos de vista confirmam o fator mais importante que é a ressurreição em si. Outros relatos procedentes das experiências pessoais dos apóstolos, como o de João, o qual afirma ter Jesus assado, oferecido e comido peixe na praia, confirmam a factualidade do evento, não sua invalidade. Isso porque nenhum outro fez esse relato, mas João o considerou particularmente marcante. Assim, cada um dos evangelistas foi escolhido por um acontecimento marcante da ressurreição.

Marcos relata a repreensão de Jesus aos apóstolos por não terem crido no testemunho dos demais, nem no que a Escritura já afirmava ser necessário a morte e ressurreição do Salvador.

De modo bastante diverso, Paulo considera o Cristo glorificado que lhe apareceu muito mais convincente do que o conhecimento “segundo a carne” dos apóstolos que o precederam. Mesmo assim, apesar de seu interesse místico, Paulo sabia da relevância histórica da ressurreição.

2. Fim e Começo de Uma Nova Era

Em 1 Coríntios 15, o décimo terceiro apóstolo enfatiza que a ressurreição de Cristo foi o resultado de uma semeadura na carne cujo fruto da justiça foi um corpo glorificado. Assim, a ressurreição de Jesus inaugurou uma nova era que trouxe à luz a vida eterna e a imortalidade. Jesus realizou em si mesmo esse feito e foi recompensado por causa da sua justiça.

A implicação da ressurreição de Jesus para os que creem é bastante abrangente, por isso menciono agora somente a que Paulo aplica generalizadamente: um morreu por todos, logo todos morreram. É precisamente por causa da morte e ressurreição de Jesus que o ser humano foi reintroduzido no reino de Deus.

Primeiro a antiga existência foi extinta em Cristo quando ele foi crucificado e morto. Como meio de entendermos a aplicação da morte de Cristo, basta lembrarmos da extinção prefigurada no dilúvio. Toda a humanidade foi tipologicamente castigada enquanto Deus escolheu um homem por meio de quem iniciaria uma nova história humana. Todas essas coisas se tornaram figuras da ressurreição que seria plenamente consumada em Cristo, de modo que o madeiro da arca foi superado e realizado pelo madeiro da cruz, no qual todos morremos em Cristo. Ali estava o fim da raça humana rebelde. Em suma, a derradeira arca é Cristo. Dele uma nova humanidade é iniciada e dele procede.

3. A Reivindicação Final da Justiça de Deus

O fato de a morte de Cristo ter sido a morte de todos e sua ressurreição também ser a ressurreição de todos é determinante para o destino humano. Como representante adequado da raça humana, Jesus, como o segundo Adão, reintroduziu novamente a humanidade no Paraíso. Nesse novo e incomparável tempo por ele inaugurado, o caminho que conduz à árvore da vida foi finalmente desbrenhado. O preço foi cair sob a espada flamejante dos querubins que guardavam o caminho (Gn 3.24).

É aqui que considero o ponto mais distintivo do fator ressurreição no dia final: alguns serão ressuscitados para a vida eterna, outros para a morte eterna. Pois todos que provarem do fruto da árvore da vida, subentendido como a imortalidade, serão ressuscitados e revestidos da imortalidade. E a imortalidade fora de Cristo é o banimento eterno da graça e a retribuição final de todas as injustiças. Pois afinal, se não houver ressurreição, todas as injustiças praticadas na presente era ficarão impunes. E Deus é justo para jamais deixar impune na presente era e na porvir todas as iniquidades praticadas pelos seres humanos, mas principalmente incitadas pelo acusador, Satanás.

A ressurreição é o fator essencial do estabelecimento do tribunal de Cristo, diante do qual todos compareceremos. É o dia do grande convencimento. Pois ali, diante de nossos olhos estará aquele a quem traspassamos com nossas iniquidades e sobre quem recaiu o pecado de todos nós. Ele mesmo haverá de julgar vivos e mortos, pois ele possui em suas mãos as chaves da morte e do inferno. Quem ficará de pé diante do Senhor?

Que este dia seja de esclarecimento e de superação de toda culpa em nosso coração, pois se mesmo tendo sido salvos por sua graça o coração nos acusar, ele é maior do que nosso coração e nosso Advogado diante de Deus. Que possamos todos ouvir dele: “venham benditos de meu Pai para o reino que está preparado para vocês antes da fundação do mundo”. Amém.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Site desenvolvido com WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: