Por Que os Antigos Viviam Mais?

“Todos os dias de Metusalém foram novecentos e sessenta e nove anos; e morreu.” (Gênesis 5.27)

De algum modo existe uma espécie de consenso a respeito da longevidade. As pessoas estão inclinadas a considerar que viver muito é uma bênção. Existe até uma seção no livro dos recordes para registrar as pessoas que mais completaram aniversários.

Costuma-se parabenizar as pessoas por “mais um ano de vida”, mas na verdade poderíamos considerar melhor como um ano a menos de vida. Claro, são apenas votos que celebram o tempo de vida e aspiram ainda mais anos, eu sei. No entanto, esse é um simples exemplo de como as pessoas entendem que viver muito é mesmo uma bênção. Eu não discordo, mas tenho ressalvas.

A Longevidade dos Antigos

O livro de Gênesis registra que no princípio era bastante comum viver mais de 600 anos. Há quem duvide. Principalmente os adeptos da suposição de que os relatos bíblicos são míticos, metafóricos dentre outras conjecturas inapropriadas.

Primeiramente, o fato é que havia um propósito básico justificando a longevidade humana naquele tempo. Não havia pessoas suficientes para gerar muitas famílias e, ao que parece, as relações conjugais se deram inicialmente entre parentes muito próximos. Posteriormente, essa prática foi severamente proibida, já que não havia mais o mesmo imperativo. Há um capítulo exclusivo em Levítico tratando sobre isso (18).

Nesse contexto, a longevidade possuía um papel importante para que as gerações se multiplicassem e as relações se tornassem cada vez mais distantes de qualquer prática incestuosa que possa ter existido antes.

Dessa forma, é razoável entender que ter algumas centenas de anos fazia parte de um desenvolvimento natural da humanidade relacionado à procriação.

O Problema do Mal

Em segundo lugar, observamos facilmente uma tendência na diminuição da expectativa de vida à medida que os seres humanos foram se tornando cada vez mais perversos.

Gênesis 6 detalha o motivo decisivo para que a vida humana se prolongasse até ao máximo de 120 anos (v.3). Nessa conjuntura, viver muito se tornaria um problema, levando em consideração a perversidade e violência humanas.

Em um mundo paradisíaco ideal onde não existam ditadores, assassinos e tiranos certamente a vida seria muito melhor. Mas na presente realidade, viver sob o regime de soberanos malignos que beiram a imortalidade tornaria a existência muito mais caótica e angustiante do que os aterrorizantes eventos conhecidos da História.

Viver Muito Seria Mesmo Uma Bênção?

Como visto, já que a redução natural da vida humana é um mal necessário para o bem estar da maioria, acredito que a longevidade dos tempos antigos para alguns em nossos dias traria poucas vantagens ou benefícios.

Imagine que você fosse uma das pessoas contempladas com mais umas centenas de anos de existência. Quantos de seus amigos, filhos e demais entes queridos e conhecidos iriam passar e só você permaneceria através de algumas gerações, incluindo netos e bisnetos?

Além do mais, quantos de seus dias seriam realmente plenos, cheios de vigor e novidades? Nessa questão, o Salmo 90 traz alguns apontamentos muito importantes que gostaria de apresentar a título de aplicação.

Realmente, nossos dias são tão breves quanto um pensamento. Quando chegamos a setenta, ou a oitenta anos com saúde e disposição, em geral podemos experimentar apenas mais do mesmo: problemas e sofrimentos característicos da senilidade. Desse modo, qual seria a utilidade de prolongá-los?

Os pontos levantados no Salmo são de autoria de Moisés, que viveu 120 anos. De sorte que, assumir nossa mortalidade sem ignorar que não viveremos para sempre (não ainda), é o primeiro passo para uma existência mais sábia, consciente e humilde, nem por isso mais fácil, admita-se.

Mortalidade versus Imortalidade

A questão aqui não é que o desejo por longevidade esteja errado. A imortalidade é uma aspiração natural da humanidade. Porém, é a condição humana sob o pecado que torna a mortalidade um fato. Assim, morremos por havermos pecado, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23a).

Não foi em vão que a imortalidade fora tornada inacessível aos seres humanos logo após a queda de Adão (Gn 3.22-24). Não faz nenhum sentido prolongar eternamente a vida humana estando sob o domínio e a presença do pecado. Já consideramos antes como isso seria terrível em muitos sentidos.

Como o verso 12 do Salmo 90 indica, precisamos ser ensinados por Deus a respeito de nossa condição temporária de vida, porque ele tem o número exato dos nossos dias sob seu poder. Discernir e aceitar esse fato é um dom que nos traz sabedoria para viver nossos dias da melhor forma.

Ele há de confirmar e recompensar nosso labor em fé no evangelho em busca de redenção. Pois “o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23b) e por meio dele temos acesso à imortalidade (2Tm 1.10). Somente Jesus nunca pecou e por isso, mesmo em face da morte, ele a venceu e ressuscitou para conceder vida eterna àqueles que nele confiam para a rendenção (Jo 6.47)

Que Deus nos dê sabedoria e graça para viver os dias de 2023!

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